Abstract
Resumo O objetivo deste artigo é demonstrar que o processo de desenvolvimento chinês verificado nas últimas quatro décadas não é um fato que se explica em si mesmo. Trata-se de um processo cuja capacidade de interpretação teórica, partindo das abordagens ortodoxas e heterodoxas presentes, já pode ter chegado a um limite. Esse limite deve-se a dois fatos objetivos: 1) a transformação, acelerada desde a crise financeira de 2008, do “socialismo de mercado” em uma nova formação econômico-social (NFES). O surgimento desta NFES é fruto de sucessivas inovações institucionais que acomodaram a coabitação - nesta mesma formação - de uma miríade de modos de produção, tendo como dominante o encabeçado pelo setor público (socialista) e 2) o contínuo progresso técnico verificado nos Grandes Conglomerados Empresariais Estatais (GCEE) percebido desde a execução de políticas industriais mais proativas redundou no surgimento de novas e superiores formas de planificação econômica no país, que, por sua vez, faz reemergir a outrora existente, e elaborada por Ignacio Rangel, “Economia do Projetamento” agora sob a insígnia da “Nova Economia do Projetamento”. A nosso ver, perceber este movimento de mudança de modo de produção na China e os novos aportes teóricos derivados dele, é o maior desafio das ciências sociais na atualidade.Abstract This article aims to demonstrate that the Chinese development process seen in the last four decades can only be explained by a process whose theoretical interpretation capacity, either based on the current orthodox or heterodox approaches, may have already reached its limit. This limitation is due to two objective facts: 1) the transformation of “market socialism” into a new socioeconomic formation (NSEF), which has accelerated since the 2008 financial crisis. The emergence of this NSEF is the result of successive institutional innovations that made possible the coexistence - in this same formation - of a myriad of modes of production, with the dominant one being that which is spearheaded by the public (socialist) economic sector and 2) the continuous technical progress observed in Large State-Owned Enterprise Conglomerates (LSEC) since the implementation of more proactive industrial policies that resulted in the emergence of new and superior forms of economic planning in China, leading to the resurfacing of the former “Projectment Economy” elaborated by Ignacio Rangel, now under the banner of the “New Projectment Economy”. In our view, the greatest challenge currently facing the social sciences is understanding this process of change in China’s mode of production and the new theoretical contributions derived from it.
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Jabbour, E., & Dantas, A. (2021). Ignacio Rangel na China e a “Nova Economia do Projetamento.” Economia e Sociedade, 30(2), 287–310. https://doi.org/10.1590/1982-3533.2021v30n2art01
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