Abstract
A persistência de bacilos da tuberculose em pacientes curados, determinando a recidiva da doença, é uma questão importante. O presente estudo de caso-controle investigou os fatores de risco individuais e institucionais para recidiva mediante análise de variáveis independentes re-lacionadas ao paciente, ao uso de drogas antituberculose e ao atendimento pelos serviços de saúde. Foram entrevistados 56 casos e 105 controles, sendo a recidiva definida como um novo episódio depois de o paciente ter sido tratado com sucesso no passado. Os controles foram sele-cionados entre pessoas tratadas e curadas por formas pulmonares de tuberculose e que não re-cidivaram. Modelos de análise de regressão foram propostos para controlar a ação dos fatores de confusão ou modificadores de efeito. As variáveis identificadas como fatores de risco para re-cidiva foram aquelas relacionadas a irregularidades do paciente (faltas à consulta médica dei-xando de coletar a medicação, não ingestão das drogas, doses equivocadas) idade e estresse ge-rado por eventos de vida; efeitos adversos do uso de drogas antituberculose; problemas na organização dos serviços de saúde que implicaram no fornecimento de dose ou quantidade in-suficiente de medicamentos. Receber informação sobre a duração do tratamento foi um fator de proteção. O reconhecimento desses fatores de risco deveria resultar em um acompanhamento mais intensivo e em uma supervisão direta do tratamento para prevenir a reativação da doença. RESUMO A persistência de bacilos da tuber-culose em pacientes considerados cu-rados, determinando a recidiva da doença, é uma questão importante nos dias de hoje. A existência de tais baci-los persistentes (ou dormentes) após a quimioterapia foi demonstrada logo após a introdução da isoniazida. O termo persistência refere-se à capa-cidade dos bacilos tuberculosos de sobreviverem na presença de concen-trações bactericidas de quimioterápi-cos durante tratamentos conduzidos corretamente. Pouco se conhece sobre o que leva os bacilos ao estado de dormência, tornando-os metabolicamente inertes. Sabe-se que tais bacilos sobrevivem dentro de macrófagos, ou em áreas de caseificação que não se comunicam com os brônquios, apresentando baixa pressão de oxigênio, importante fator de crescimento do bacilo. 2 Os bacilos persistentes não são resistentes às dro-gas, mas possuem, isso sim, metabo-lismo lento ou irregular. Ao encontrar condições favoráveis, esses bacilos se
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Oliveira, H. B. de, & Moreira Filho, D. de C. (2000). Recidivas em tuberculose e seus fatores de risco. Revista Panamericana de Salud Pública, 7(4), 232–241. https://doi.org/10.1590/s1020-49892000000400004
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