Abstract
Partindo de uma pesquisa etnográfica com famílias camponesas que saem de suas terras para trabalhar em diferentes lugares do Brasil, o objetivo deste texto é pensar a relação entre trabalho assalariado e campesinato. O recorte analítico privilegia a modalidade migratória atualmente mais significativa no município de Aracatu (BA), a "migração para o café", na qual, durante quatro meses ao ano, homens e mulheres fecham suas casas no sertão e se deslocam para trabalhar em lavouras de café da região Sudeste. Finalizado o trabalho, retornam para casa e ali permanecem até a colheita do próximo ano. O dinheiro ganho no café garante a "feira" do ano e a continuidade do "negócio" familiar. Um trabalho assalariado que se insere nas dinâmicas produtiva e reprodutiva dessas famílias camponesas, e possibilita a reprodução de uma ordem moral camponesa, no sentido proposto por Klaas Woortmann.Each year men and women from Aracatu, a small city in northeast of Brazil, close their homes and move over thousand miles south to harvest coffee in Minas Gerais and São Paulo States. As soon as coffee harvest finishes four months later they go back home and resume work in their own gardens. The money earned in the coffee harvest provides assurance consumption throughout the year, allowing devote to their activities on the family farm. This paper seeks to show how the wage labor done by those families reflects into their productive and reproductive dynamics, including acting in strengthening peasant character, in the sense of a peasant subjectivity, as was proposed by Klaas Woortmann.
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Nogueira, V. S. (2013). Trabalho assalariado e campesinato: uma etnografia com famílias camponesas. Horizontes Antropológicos, 19(39), 241–268. https://doi.org/10.1590/s0104-71832013000100010
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