Abstract
Em trabalhos anteriores, ao tratar da identidade amazônica, tenho al-gumas vezes feito uma afirmação que considero adequada-tendo sempre, porém, o cuidado de enfatizar que não se deve generalizar uma visão homogeneizadora para esta grande região (e, por isso, muitas vezes, pre-firo falar em Amazônias, no plural). Essa afirmação refere-se mais espe-cificamente àquela parte da Amazônia onde nasci e onde vivo-e que mais conheço-, a Amazônia Oriental, na qual penso existirem três ele-mentos fundamentais componentes dessa identidade: em primeiro lugar, a Cabanagem, grande revolta popular que eclodiu na primeira metade do século XIX, cuja memória ainda hoje está presente entre as populações das áreas interioranas nas quais ocorreu; em segundo, a festa de santo do catolicismo popular e, especialmente, o Círio e a Festa de Nossa Senhora de Nazaré, a maior concentração religiosa de todo o Brasil num único dia, ocorrida todos os anos em Belém, no segundo domingo de outubro; e, em terceiro lugar (mas não menos importante), o encantado ou bicho do fundo, personagem mítico que está associado à pajelança cabocla, estu-dada por folcloristas, historiadores e antropólogos, em várias regiões da Amazônia, sobretudo em cidades, vilas e povoações do interior.
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Heraldo Maués, R. (2012). O simbolismo e o boto na Amazônia: religiosidade, religião, identidade. História Oral, 9(1). https://doi.org/10.51880/ho.v9i1.187
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