Abstract
Neste artigo, pretendo abordar a circulação de substâncias, com ênfase no sangue (tuguy), entre as mulheres kaiowa e guarani em Mato Grosso do Sul. Com essa abordagem, é possível pensar uma rede de relações que compõe o corpo e a pessoa kaiowa e guarani, a partir da menstruação como um marcador etário na vida das mulheres e suas relações com as intervenções do Estado. Para isto, valho-me de duas experiências etnográficas. A primeira trata-se de um ritual de primeira menstruação de uma menina kaiowa que pude acompanhar na Terra indígena Panambizinho em Dourados, MS, em 2014; a segunda refere-se a dois acompanhamentos de que participei, enquanto indigenista na Fundação Nacional do Índio (FUNAI), de acolhimento arbitrário de crianças indígenas, um na Reserva de Dourados e outro em Panambizinho. Um dos acompanhamentos tratava-se de uma situação específica em que o estatuto geracional pós-menarca foi questionado pelo Estado, contrariando o discurso dos envolvidos. Dessa forma, a partir da reflexão junto a outros dados etnográficos, etnografias sobre os Kaiowa, Guarani e Mbya e reflexões sobre redes e relações entre os ameríndios, busco analisar essas situações etnográficas apresentadas e colocá-las em conexão para pensar ritual, intervenção e os conhecimentos mobilizados sobre o sangue como caminho para o “feixe de relações” que é o corpo e a pessoa kaiowa e guarani.
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Seraguza, L. (2017). Do fluxo do sangue aos cortes da vida em reserva: sangue, ritual e intervenção entre as mulheres Kaiowa e Guarani em MS. Tellus, 139–162. https://doi.org/10.20435/tellus.v17i33.444
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