Abstract
Nossa idade-velho ou moço-pouco importa. Importa é nos sentirmos vivos e alvoroçados mais uma vez, e revestidos de beleza, a exata beleza que vem dos gestos espontâneos e do profundo instinto de subsistir enquanto as coisas em redor se derretem e somem como nuvens errantes no universo estável. Prosseguimos. Reinauguramos. Abrimos olhos gulosos a um sol diferente que nos acorda para os descobrimentos. Esta é a magia do tempo. Esta é a colheita particular que se exprime no cálido abraço e no beijo comungante, no acreditar na vida e na doação de vivê-la em perpétua procura e perpétua criação. E já não somos apenas finitos e sós. Carlos Drummond de Andrade Somos sempre o jovem ou o velho em relação a alguém. Pierre Bourdieu Existe uma praxe na antropologia segundo a qual o pesquisador deve explicitar as razões, as condições e o processo de suas investigações. Esse relato das condições de seu trabalho permite ao leitor relativizar seus achados e localizar sua perspectiva-por conseguinte, também se posicionar. Por isso, consideramos de bom tom apresentar os motivos que nos levaram a organizar um livro sobre o 'envelhecimento' que cruzasse os olhares da antropologia e das ciências da saúde. Pelas regras de classificação dos ciclos da vida que vigoram em nossa socieda-de, o Brasil precocemente entrou na rota do envelhecimento populacional. Nessa estra-da que acolhe os caminhantes grisalhos e sulcados pela vida, o trânsito vai aos poucos ficando congestionado, a ponto de já serem mais de 31 mil os brasileiros remanescentes do século XIX. É cada vez maior a população que, parafraseando o poeta, vai
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Coimbra Jr., C. E. A. (2002). Introdução: Entre a liberdade e a dependência: reflexões sobre o fenômeno social do envelhecimento. In Antropologia, saúde e envelhecimento (pp. 11–24). Editora FIOCRUZ. https://doi.org/10.7476/9788575413043.0002
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