Abstract
Aproveitei a última semana de 2013 para fazer meu recadastramento eleitoral biométrico, nesse período em que Brasília fi ca vazia e sem fi las. Fui logo atendida no posto e, com poucas pessoas presentes, passei por duas eta-pas. Na primeira mesa a que fui levada, apresentei os documentos exigidos: o antigo título de eleitor, a carteira de identidade e o comprovante de residência e, em troca, recebi uma folha impressa com os dados que estavam no sistema, inclusive meu histórico de votação em que constavam as duas vezes em que justifi quei o voto por ausência. Confi rmei as informações que estavam em dia, fi z as correções e introduzi telefones e e-mail, conforme solicitado. Enquanto isso, o funcionário do TRE fazia uma cópia da minha carteira de motorista. Tudo certo, assinei meu nome num tablet depois de ser orientada de que a assinatura deveria ser igual à da identidade. Conduzida à outra mesa, constatei que as informações fornecidas há poucos minutos já estavam disponíveis online para este segundo funcioná-rio, inclusive minha recente assinatura. Com um painel atrás de mim, e um leitor óptico para coletar as impressões digitais, percebi que havia também uma câmera um pouco distante; fui informada pelo jovem que me atendia, muito solícito, aliás, que iria tirar uma fotografi a e que eu "poderia sorrir, se quisesse".
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Peirano, M. (2014). Etnografia não é método. Horizontes Antropológicos, 20(42), 377–391. https://doi.org/10.1590/s0104-71832014000200015
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