Paradigmas, comunidades científicas e os físicos brasileiros

  • Videira A
N/ACitations
Citations of this article
5Readers
Mendeley users who have this article in their library.

Abstract

A gama de assuntos abordados e comentados por Thomas S. Kuhn em sua obra magna, A estrutura das revoluções científicas (doravante ERC), publicada há exatos cinquenta anos, é enorme, a ponto de um comentador ter dificuldades em escolher um tema, capaz de ser considerado como o mais importante em todo o livro. Uma das características mar-cantes de ERC é a teia complexa e sutil entre temas, teses e conceitos sobre a ciência. Apesar da complexidade e da sutiliza da estrutura narrativa presente na ERC, é possível verificar que Kuhn defende a natureza da ciência como sendo eminentemente histórica. Em breves palavras, sem o recurso à história-apenas?-da ciência, não se pode saber o que ela é. Tal recurso é obrigatório, na medida em que a ciência, tal como já afirmado desde o final do século xix, transforma-se, sendo, em princípio, impossível determi-nar antecipadamente o resultado dessas transformações às quais a ciência está invari-avelmente submetida (cf. Videira, 2011). Se o objetivo for compreender a natureza da ciência, torna-se, então, necessário compreender como e por que ela se modifica. Contudo, mesmo reconhecendo o caráter intrinsecamente transformista da ciência, Kuhn reconhece que ela possui uma identidade própria, capaz de ser determi-nada. Ou ainda, a inteligibilidade da ciência apoia-se em parte na capacidade de rece-ber uma identidade. Caso contrário, o seu objetivo em ERC seria inalcançável. Para que a transformação da ciência seja uma realidade, é preciso que essa transformação aconteça sobre algo que detém uma identidade, sobre algo que possui uma estabili-dade. Já há muito, pressentia-se que a identidade da ciência não poderia ser fixada através de essências. Um exemplo em favor dessa tese é a discussão que o matemático francês Henri Poincaré manteve com o filósofo, também francês, Edouard Le Roy, a respeito de se a ciência poderia ser bem explicada pelo convencionalismo. Os argumen-tos do primeiro autor podem ser lidos nos dois últimos capítulos de O valor da ciência (Poincaré, 1998).

Cite

CITATION STYLE

APA

Videira, A. A. P. (2012). Paradigmas, comunidades científicas e os físicos brasileiros. Scientiae Studia, 10(3), 613–623. https://doi.org/10.1590/s1678-31662012000300009

Register to see more suggestions

Mendeley helps you to discover research relevant for your work.

Already have an account?

Save time finding and organizing research with Mendeley

Sign up for free