Abstract
resumo Apesar das inúmeras críticas que recebeu ao longo de sua produção acadêmica, Thomas Kuhn produziu, inegavelmente, uma nova imagem acerca do progresso científico. A rigor, ele mostrou que o progresso ocorre em duas direções diferentes e complementares. Isso o levou a advogar a tese de que o desenvol-vimento da ciência se dá por intermédio de uma tensão essencial entre o normal e o revolucionário. Segundo Kuhn, há o progresso no sentido de aprofundamento do conhecimento-proporcionado pela aquisição de um paradigma-e há o progresso no sentido de ampliação do conhecimento-gerado pela emergência da incomensurabilidade. O argumento central que desenvolvemos, neste artigo, afirma que o problema de Kuhn foi ter começado, com o passar do tempo, a pensar esses dois conceitos fundamen-tais (paradigma e incomensurabilidade) somente em suas conotações lingüísticas e teóricas. Palavras-chave • Kuhn. Progresso científico. Incomensurabilidade. Paradigma. Introdução Apesar de que, no curso de sua intensa atividade intelectual, Kuhn tentasse amenizar, ou articular melhor, as teses defendidas originalmente em A estrutura das revoluções científicas, continuou sendo acusado de ter produzido um relato irracional do progresso científico. Na verdade, Kuhn procurou sustentar em várias ocasiões que, embora a ciên-cia não contasse com um fundamento inabalável, ela não deixa de ser um empreendi-mento notavelmente bem-sucedido e, portanto, um dos melhores produtos da razão para a superação dos obstáculos impostos à espécie humana pela natureza. Independen-temente do tipo de recepção que a obra de Kuhn obteve, o fato é que ela representa, de forma inconteste, um divisor de águas nos estudos sobre a ciência. Ainda hoje, procu-ra-se entender as razões que expliquem a repercussão impactante do trabalho histórico-filósofico de Kuhn. Fuller (2000) e Larvor (2003), por exemplo, não obstante argumen-tos e objetivos diferentes, reconhecem que Kuhn foi-e ainda é-bastante influente, embora suas teses não tenham respaldo histórico nem consistência filosófica.
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Mendonça, A. L. de O., & Videira, A. A. P. (2007). Progresso científico e incomensurabilidade em Thomas Kuhn. Scientiae Studia, 5(2), 169–183. https://doi.org/10.1590/s1678-31662007000200003
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