As maravilhas do sexo que ri de si mesmo

  • Pelúcio L
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" Não foi a minha maneira de pensar que me desgraçou, foi a dos outros " , escreveu Sade a certa altura de sua vida polêmica e emblemática. Corria o século XVIII, época em que o poder exercia-se explicitamente sobre a carne e os suplícios públicos, impostos às pessoas infratoras, era da ordem do espetacular. O Marquês, com sua " desgraçada " maneira de pensar, tecia críticas a esse poder que se realizava pela submissão completa do outro até seu esgotamento, e que assim podia ser, pois a nobreza tinha tanta certeza de sua superioridade quanto de sua impunidade. Apesar de sua verve crítica, o nobre e controverso autor de A Filosofia da Alcova se popularizou não por seu requinte filosófico, mas pela propalada crueldade em relação aos usos dos prazeres do sexo. Foi mais fácil classificá-lo como libertino do que ver em sua prosa a relação intrínseca entre sexo, poder, submissão e controle. Relação esta que Michel Foucault esmerou-se em desnudar em História da Sexualidade – A vontade de Saber. A sexualidade, sendo ela mesma uma construção, tem uma história que não pode ser contatada sem que se fale das instituições de poder e dos discursos de saber que formularam verdades sobre o sexo. Se a sexualidade tem sido sempre alvo de regramento e esmiuçamento por parte das instituições, o corpo feminino tem

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Pelúcio, L. (2007). As maravilhas do sexo que ri de si mesmo. Cadernos Pagu, (29), 481–488. https://doi.org/10.1590/s0104-83332007000200021

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