Abstract
No ano de 2002 perdemos nosso grande com-panheiro Milton Santos, intelectual brilhante, cuja obra seminal ultrapassou as fronteiras brasileiras e com certeza, influenciará ainda muitas gera ções, na forma de pensar a geo-grafia e a socieda de. A presença de Milton Santos na área da saúde se deveu muito a um movimento, que se intensificou na década de 1990, de articular os eventos e agravos aos es-paços socioculturais e econômicos nos quais acontecem. E também, se deve à clareza de seu pensamento sobre o lugar da ciência e da téc-nica na sociedade. Sua arguta capacidade crí-tica está presente no texto que vem abaixo, proferido em um dos eventos do Centenário da Fundação Oswaldo Cruz. A única justificativa para minha ousadia de estar aqui é o fato de que o que une as disci-plinas todas é o mundo. E o mundo se haven-do tor nado acessível a todos nós, neste fim de século, fez que a filosofia se colocasse à dispo-sição dos não filósofos, abrindo espaço para que a filosofia produzida em cada campo do saber seja operacional. Acredito que o convite que me foi feito vem do fato de que não sou outra coisa senão um geógrafo. Um geógrafo que se dedicou ao longo da vida, com a sorte de viver até o fim do século, às coisas do mundo, agora que o mundo decidiu colocar-se ao alcance da nossa mão. Isso me permite alguns atrevimentos. Primeiro, vai ser exatamente o de expor o que eu penso. O termo "meio ambiente" me incomoda profundamente. Não é uma ques-tão corporativa; é que meio ambiente se cons-titui apenas uma metáfora, portanto não se pode teorizar a partir dessa noção. O que há é o meio , que por simplificação às vezes se cha-ma meio ambiente, o que constitui também uma redução. Uma redução que, como a ex-pressão está dizendo, limita o raciocínio e po-de trazer um perigo de equívoco que deseja-mos ultrapassar: ou seja, desejamos sair de uma acepção puramente técnica do viver e al-cançar essa visão global sem a qual o huma-nismo pode ficar no discurso e ser portador de uma moralidade. O que distingue a mora-lidade é que ela é o fundamento da política, e nada se resolve a partir do domínio da técnica sem que o dado político seja posto em primei-ro lugar. Quando eu falo em po lí ti ca não es-tou me referindo à política com o "p" minús-culo da qual estamos desgraçadamente muito longe, mas àquela outra que é o desejo dos homens que pensam e que desejam e que pre-tendem, com o seu trabalho, me lhorar o mundo para que melhore o seu país e o seu lugar. Na realidade, a geografia, minha disci
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Santos, M. (2003). Saúde e ambiente no processo de desenvolvimento. Ciência & Saúde Coletiva, 8(1), 309–314. https://doi.org/10.1590/s1413-81232003000100024
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