Abstract
O artigo critica os estudos que analisam a formação social brasileira segundo o paradigma teórico do personalismo, privilegiando o debate com a sociologia dual de Roberto da Matta. Sob o ponto de vista metateórico, critica a pressuposição, o mais das vezes implícita, de um conceito unilateral e indiferenciado de modernidade ocidental que torna possível a definição do Brasil como o "outro" da modernidade. Sob o ponto de vista mais propriamente teórico, critica-se a ausência de uma teoria da estratificação social que permitisse uma adequada compreensão da relação entre os valores e sua institucionalização. A segunda parte do artigo propõe uma interpretação alternativa à de Da Matta, na qual a consideração de aspectos negligenciados pela análise desse autor permitiria perceber a convivência entre atraso e modernidade, assim como a coexistência entre possibilidade de real ascensão social e marginalização que sempre caracterizaram a sociedade brasileira. O conceito alternativo proposto para a dinâmica de desenvolvimento brasileiro é o de uma "modernidade seletiva", a qual possuiria, historicamente, uma dinâmica de classe, a partir da apropriação diferencial da influência e dos valores europeus.
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Souza, J. (2001). A sociologia dual de Roberto Da Matta: descobrindo nossos mistérios ou sistematizando nossos auto-enganos? Revista Brasileira de Ciências Sociais, 16(45), 47–67. https://doi.org/10.1590/s0102-69092001000100003
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