Abstract
A difusão do português em Angola, iniciada com a chegada dos portugueses no séc.15, está ligada ao comércio atlântico de escravos. Os principais impulsos dessa difusão partiram das cidades, feitorias e presídios portuguesas junto à costa e no hinterland. No entanto, atribuir as raízes históricas da actual lusofonia em Angola apenas aos portugueses e ao seu domínio colonial, seria incorrer num erro grosseiro e num simplismo inadmissível. Desde o séc.17 que um grupo de africanos que adoptou elementos da cultura portuguesa – o vestuário e a língua falada e escrita – teve uma participação decisiva neste processo, não só no hinterland costeiro, mas a partir do início do séc.19 também no interior do continente, longe de qualquer influência directa dos portugueses. No interior do continente, este processo terminou após a conferência de Berlim e a criação do Estado Livre do Congo. Nos territórios ocidentais da Angola actual, o processo complexo, protagonizado por portugueses, luso-africanos e alguns africanos, criou no entanto as bases em que assenta a lusofonia posterior.
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Heintze, B. (2005). A lusofonia no interior da África Central na era pré-colonial. Um contributo para a sua história e compreensão na actualidade. Cadernos de Estudos Africanos, (7/8), 179–207. https://doi.org/10.4000/cea.1361
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