Abstract
A clínica do trabalho vem se fortalecendo pela diversidade de for- mas e abordagens. No Brasil, seu desenvolvimento acompanhou, principal- mente, a divulgação do enfoque teórico e metodológico da Psicodinâmica do Trabalho. A condução clínica no trabalho tem como propósito a emanci- pação e a construção de laços afetivos, além do desejo de resgatar a capaci- dade de pensar sobre o sofrimento no trabalho e seu compartilhamento com o coletivo de trabalhadores. No entanto, o contexto de trabalho pautado nos modelos de gestão neotayloristas ensina que não se fale o que se sente ou se vivencia. Existem angústias difíceis de nomear no ambiente laboral, e isso se deve à impossibilidade de sua expressão. Este artigo tem como objetivo discutir o poder da fala na clínica do trabalho como instrumento político, bem como refletir sobre o papel e a posição do clínico do trabalho. A palavra tem um poder de inscrever no simbólico o que escapa ao controle e permite, assim, a elaboração-perlaboração dos eventos; dessa forma, fundamenta-se que a palavra provoca afeto e desbanaliza as injustiças, bem como possibilita a elaboração do que faz sofrer. Destaca-se, ainda, que tal processo é viabili- zado pela posição do clínico, que deve estar preparado para receber o que lhe vai ser depositado pelo sujeito
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Gómez, V. A., Mendes, A. M., Chatelard, D. S., & Carvalho, I. S. (2016). A palavra como laço social na clínica Psicodinâmica do Trabalho. Contextos Clínicos, 9(2). https://doi.org/10.4013/ctc.2016.92.10
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