Abstract
A terapia nutricional em ambiente domiciliar contribui para a recuperação do estado de saúde do paciente, além de apresentar menor custo quando comparada à nutrição enteral hospitalar. Entretanto, na prática clínica, percebe-se que os pacientes e familiares possuem dificuldades para executar os procedimentos relacionados à nutrição enteral. O objetivo foi identificar o perfil epidemiológico e nutricional dos usuários de nutrição enteral. Trata-se de estudo transversal, com aplicação de questionários e aferição de medidas antropométricas para o conhecimento do perfil socioeconômico, nutricional e variáveis associadas ao uso dessa modalidade terapêutica. Constatou-se que apenas 31,6% dos usuários deixam a unidade hospitalar com instrumentos de contrarreferência. As doenças de base prevalentes foram as doenças neurológicas (63%). O tempo médio de uso da terapia foi de 28 semanas, com uso predominante (53%) de formulações industrializadas e fornecidas pelo município (37%). Por meio da aplicação da Avaliação Nutricional Subjetiva Global, 66,7% dos indivíduos foram classificados como moderadamente desnutridos. Os resultados apontam para a necessidade de estabelecer efetiva integração entre diferentes níveis de atenção à saúde e a necessidade de outros estudos sobre o perfil da nutrição enteral domiciliar no país. Demetra; 2014; 9(3); 783-794 784 Introdução A terapia nutricional (TN) pode ser entendida como um conjunto de procedimentos terapêuticos com o objetivo de manter ou recuperar o estado nutricional e clínico do paciente por meio da nutrição enteral (NE) ou nutrição parenteral. 1 Dentro dessa perspectiva, a NE, que pode ser exclusiva ou parcial, utiliza fórmulas, industrializadas ou artesanais, especialmente desenvolvidas para o uso em sondas. A NE ofertada em ambiente domiciliar caracteriza a terapia de nutrição enteral domiciliar (TNED). 2 O uso da TNED facilita a recuperação do estado de saúde do paciente, pois diminui o risco de infecções; contribui para a melhora do estado nutricional; melhora a resposta terapêutica; reduz a incidência de complicações; humaniza o cuidado, reintegrando o paciente ao convívio social; e ainda, apresenta menor custo quando comparada à nutrição enteral hospitalar. 3
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Silva, A. C., & Silveira, S. D. A. (2014). PERFIL EPIDEMIOLÓGICO E NUTRICIONAL DE USUÁRIOS DE NUTRIÇÃO ENTERAL DOMICILIAR. DEMETRA: Alimentação, Nutrição & Saúde, 9(3). https://doi.org/10.12957/demetra.2014.10527
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