Dimensões socioculturais da amamentação no Brasil

  • Almeida J
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As vantagens oferecidas pelo aleitamento materno, em seus múltiplos aspectos, representam uma unanimidade no meio científico. A superioridade do leite humano como alimento, agente protetor de infecções e modulador do cres-cimento do lactente, encontra-se amplamente descrita na literatura (OMS, 1994). Igual destaque merecem os aspectos psicológicos que resultam da interação mãe-filho: a criança, a mãe, a família, a sociedade e o Estado são amplamente bene-ficiados pela prática da amamentação natural (Araújo, 1997). Apesar de todas estas vantagens, estudos revelam que a mulher contem-porânea tende a amamentar cada vez menos (Souza, 1996). Tal tendência ao abandono da amamentação engendra o paradoxo do desmame, que traz consigo uma grande questão: por que as mães tendem a desmamar os seus filhos cada vez mais precocemente? A lógica imediatista impulsiona o raciocínio para res-postas rápidas e diretas, que relacionem o hábito da amamentação ao novo pa-pel social da mulher. Na verdade, o perfil do feminino e da família brasileira mudou, notadamente ao longo da década de 80, quando quase dobrou o núme-ro de unidades domésticas compostas por famílias chefiadas por mulheres. Em decorrência, houve um aumento expressivo da participação das mulheres no mercado de trabalho (Ribeiro, 1994). A mulher, cuja importância social rela-cionava-se predominantemente à sua capacidade de gerar força produtiva, pas-sou a ser impelida a contribuir de maneira direta na composição da renda fami-liar e, assim, foi obrigada a assumir o ônus de uma tripla jornada: a de mãe, dona-de-casa e trabalhadora remunerada (Giffin, 1994). Na tentativa de ampliar a compreensão sobre os determinantes do des-mame precoce, vários trabalhos foram realizados, em diferentes épocas e regiões do País. Curiosamente, nos estudos em que se buscou compreender o desmame com base no que a mulher verbaliza, permitindo-se que ela manifeste sua ver-dadeira razão para o abandono da prática do aleitamento, o trabalho materno ocupa um lugar secundário entre as justificativas apresentadas. Assim, conside-rar a inserção da mulher no mercado de trabalho como o principal fator explicativo para o desmame consiste em um problema de retórica ou de visão parcial. Monson et al. (1991), referindo-se a alegações maternas para o desma-me, aludem a um estudo realizado na cidade de Nova Friburgo (RJ), no qual

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Almeida, J. A. G. de. (1999). Dimensões socioculturais da amamentação no Brasil. In Amamentação: um híbrido natureza-cultura (pp. 30–51). Editora FIOCRUZ. https://doi.org/10.7476/9788575412503.0004

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