Abstract
Os professores são maus implantadores das idéias dos outros. MCDONALD A razão não pode tornar-se, ela mesma, transparente enquanto os homens agem como membros de um organismo irracional. HORKHEIMER RESUMO Na reforma curricular do curso de Pedagogia a disciplina Biologia Educacional foi excluída. Entretanto, essa disciplina é essencial na formação do professor. Atualmente, a representação social de ser humano, e obviamente também dos alunos de Pedagogia, é construída mediante uma visão reificada hegemônica, que podemos conceituar como sendo inatista, empirista e imutável. Essa representação de homem não é apenas um equívoco teórico, uma falha na compreensão da realidade, mas uma falha que tem implicações políticas relevantes. Assim, este artigo insere-se na perspectiva de refletir sobre as relações entre a Biologia e a Educação, no intuito de contribuir para transformar, por meio do esclarecimento, a representação social de homem em conceito, contribuindo para o processo de desreificação da sociedade. E, de passagem, defender a existência da disciplina Biologia e Educação nos currículos de Pedagogia e das licenciaturas. Palavras-chave: biologia e educação; biologia educacional; representação social. A reforma curricular do curso de Pedagogia, da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás, no periodo de 2000 a 2003, motivou debates amplos e específicos, da teoria sobre currículo à concep-80 SOUZA, A. B. C. – Reflexões sobre a Biologia e a Educação no currículo... ção de universidade, passando pelo atendimento de diretrizes legais e regulamentações, bem como contemplou os debates nacionais envolvendo as associações e os fóruns ligados à educação, e culminou em uma proposta curricular que reafirma a docência como base da identidade do pedagogo e propõe-se a formar professores que compreendam as complexas relações entre educação e sociedade, pensem e realizem a existência humana, pessoal e coletiva, e o trabalho pedagógico com vistas à transfor-mação da realidade social, à superação dos processos de exploração e dominação, à construção da igualdade, da democracia, da ética e da solidariedade. (FACULDADE DE EDUCAÇÃO, 2003, p. 14) Os debates contribuíram para esclarecer pontos específicos de disciplinas e também para explicitar diferentes concepções de docência. Porém, este artigo trata exclusivamente do debate sobre uma disciplina que na reforma deixou de ser obrigatória, a Biologia Educacional. E o viés adotado não visa problematizar as relações de poder na construção de um currículo, mas, tão somente, refletir sobre a essencialidade de se discutir a relação entre a Biologia e a Educação na formação do professor. Atualmente, poucos cursos de Pedagogia no Brasil, menos ainda nas licenciaturas, têm em seus programas conteúdos curriculares que contemplem a relação entre a Biologia e a Educação, mas podemos afirmar que, na maioria dos cursos, a orientação epistemológica que norteia as reflexões dessas relações aproxima-se da maneira como essa problemática era e, ainda em parte, é tratada na Faculdade de Educação. Um dos programas da disciplina Biologia Educacional de 1993 traz a seguinte epígrafe: " Antes de ser um ser social e psíquico o homem é um ser físico e como tal deve ser considerado. " Certamente é uma ótima escolha para um plano de curso que tem os seguintes objetivos:
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Carlos de Souza, A. B. (2007). REFLEXÕES SOBRE A BIOLOGIA E A EDUCAÇÃO NO CURRÍCULO DE PEDAGOGIA E NAS LICENCIATURAS. Revista Inter Ação, 29(1). https://doi.org/10.5216/ia.v29i1.1333
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