Vírus, guerras e novos heróis: a pandemia da Covid-19 sob o biomilitarismo

  • Sacramento O
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Desenvolvo um exercício compreensivo sobre as construções sociais mais proeminentes, induzidas sobretudo pela ciência, em torno da pandemia de Covid-19, considerando para tal conteúdos jornalísticos online segundo uma perspetiva inspirada no desígnio etnográfico da procura de sentidos. Constato que as metáforas bélicas assumem um papel hegemónico como recursos semânticos privilegiados de conceptualização da crise sanitária e do que é feito, a vários níveis, para lidar com a situação de emergência. Estas metáforas expressam-se desde a escala microfísica de caracterização do vírus e da sua relação com o organismo humano à escala social da epidemiologia da infeção, das respostas socio-sanitárias, das implicações geopolíticas e das expressões identitárias de diferentes agentes, sobretudo dos profissionais que atuam nas esferas da ciência e da saúde. Ironicamente, a pandemia que atrai tantos tropos que remetem para a guerra e o militarismo tem-se constituído, em simultâneo, como um campo de indução de guerras tácitas, dando azo a múltiplas disputas político-ideológicas e tensões geopolíticas.

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Sacramento, O. (2022). Vírus, guerras e novos heróis: a pandemia da Covid-19 sob o biomilitarismo. Revista de Antropologia, 65(3), e195914. https://doi.org/10.11606/1678-9857.ra.2022.195914

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