Uso do açúcar nas feridas infectadas

  • Haddad M
  • Vannuchi M
  • Chenso M
  • et al.
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1. -INTRODUÇÃO A ferida pode ser considerada como uma complicação biológica, que tende a regressão es­ pontãnea e completa (cicatrização) dentro de um prazo mais ou menos pré-estabelecido, com algumas va­ riações individuais (1). Porém podem surgir complicações que retardam a cicatrização, como a infec­ ção, que prolonga a convalescença, aumentando os custos do tratamento. O cuidado com as feridas infectadas é conhecido desde a antigüidade, como é relatado no pa­ piro cirúrgico de EDWIN SMITH, datado de 1700 A. C .. Este documento descreve o tratamento que os cirurgiões egípcios aplicavam em feridas, que consistia na combinação de mel e ungüento aplicados diariamente na lesão com ataduras de pano fino (4). Substãncias que contém açucar como o mel, melaço e xaropes, são também utilizados desde tempos antigos por outros povos, como os índios do Peru, Chile e Colombia, com sucesso no tratamento de feridas (2, 3, 4). O uso indiscriminado de antibióticos, tem aumentado o número de cepas resistentes, sendo necessário a pesquisa de novos antibióticos elevando o seu custo, o que torna probitivo seu uso rotinei­ ramente. Por estas e outras razões, métodos primitivos de tratamento local das feridas, tem sido anali­ sados e aplicados com bases científicas atualizadas, afim de tornar mais econômico e eficiente esse tra­ tamento. Relatamos a nossa experiência com o uso de açúcar em feridas infectadas, num período de 30 meses com doentes portadores de neoplasias. 2. -MATERIAL E MÉTODO Baseando-se nas informações de RAHAL (5), sobre o uso do açúcar em feridas operatórias, utilizamos o mesmo em feridas infectadas de 3 doentes para confirmar sua ação local. Para nossa satis­ fação houve boa resposta, com granulação local, desaparecimento da secreção purulenta e formação de tecido cicatricial. Considerando a carência de recursos financeiros do nosso hospital, a escassez de poderosos antibióticos bem como o seu alto custo, nos estimulou a usar o açúcar em toda as feridas infectadas, ci­ rúrgicas ou não, de forma que o aplicamos em aproximadamente 100 casos, independente de raça, sexo e idade, no período de fevereiro de 1980 a julho de 1982. Nos doentes observados, incluiram-se os portadores de deiscências cirúrgicas, escaras, en­ xertos de pele, queimaduras por irradiação, úlceras varicosas, amputações, etc. Foi utilizado o açúcar do tipo cristal. Na técnica de sua aplicação, faz-se inicialmente a limpeza da lesão com soro fisiológico e a se­ guir cobre-se a superfície com uma camada de açucar até não se visualizar o leito da ferida. O local é

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Haddad, M. do C. L., Vannuchi, M. T. O., Chenso, M. Z. B., & Hauly, M. C. de O. (1983). Uso do açúcar nas feridas infectadas. Revista Brasileira de Enfermagem, 36(2), 152–154. https://doi.org/10.1590/s0034-71671983000200004

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