Abstract
O artigo buscar fazer uma leitura do endereçamento em Charles Baudelaire, em diálogo com as formulações de Jonathan Culler em seus trabalhos sobre a apóstrofe e sobre o endereçamento lírico. A proposta é refletir sobre a convocação “singular” que o poeta francês estende a seu destinatário em “Ao leitor”, poema de abertura das Flores do Mal. Tal convite, ao mesmo tempo agressivo e provocativo e em divergência com o ideal de afinidade ou fusão entre o poeta e seu interlocutor, está em sintonia com uma teoria da lírica não representativa, em que a poesia se produz como um acontecimento por meio da voz poética visionária que torna responsiva esferas abstratas. O presente estudo sugere que, ao investir na dissonância e no desacordo, o endereçamento baudelairiano promove ainda o papel ativo da instância ao qual o poema se dirige, capaz de respostas que excedem a conciliação e a harmonia. Assim, a poesia de Charles Baudelaire se constitui não apenas como um acontecimento que envolve o espelhamento ou continuidade entre sujeito poético e seu interlocutor, mas também se aproxima de experiências do dissenso, do fracasso, do desvio, do desastre ou da catástrofe. Palavras-chave: Poesia, Endereçamento, Charles Baudelaire, teoria literária, Jonathan Culler.
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Loiola, R., & Fernanda Silveira da Pureza, N. (2026). “ Ao leitor”: Nau Literária, 22(1), 01–13. https://doi.org/10.22456/1981-4526.151893
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