Alterações de comunicação e linguagem de pacientes portadores de lesão encefálica adquirida: estudo descritivo retrospectivo

  • Cecatto R
  • Jucá S
  • Nacarato M
  • et al.
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Abstract

Há poucos estudos brasileiros abordando a comunicação e linguagem dos pacientes adultos com lesões encefálicas adquiridas, bem como sua relação com as melhoras motoras e cognitivas durante a reabilitação. Esse fator, somado à complexidade da avaliação dessas alterações justifica este estudo. O objetivo deste estudo foi descrever as alterações de comunicação nos pacientes adultos com lesões encefálicas adquiridas atendidos pela equipe de reabilitação de pacientes com lesões encefálicas adquiridas e correlacionar esses dados com variáveis biodemográficas, clínicas e achados aos exames de imagem. Cento e dezenove prontuários médicos de pacientes hemiplégicos sob reabilitação, atendidos entre Outubro de 2002 e 2004 foram avaliados. Foram tabulados dados clínicos, biodemográficos, resultados de exame de imagem e o padrão de transtorno de comunicação de acordo com a avaliação realizada no serviço de fonoaudiologia. O grau de incapacidade foi avaliado pela medida de independência funcional (MIF). O AVE correspondeu a 74% dos casos, seguido pelo TCE em 20% e 6% de outras etiologias. Cinqüenta e um pacientes apresentaram alterações de linguagem, enquanto 43 tinham outras alterações fonoaudiológicas e não de linguagem e 25 sem alterações; 30,9% de afasias (sendo 56% dessas, mistas, a mais prevalente), 27,7% de disartrias, 24,5% de apraxias, 22,3% de alterações lingüístico-cognitivas, 21,3% de alterações de voz, 20,2% de disfagias, 14,9% de alterações sensoriomotoras orais, 3,2% de hipoacusias e 1,1% de anomias. Não foram encontradas associações entre o gênero na comparação dos subgrupos com afasia, portadores de distúrbio lingüístico-cognitivo, TCE ou AVE, bem como nenhum paciente sugerindo dominância cerebral para linguagem à direita. A prevalência das afasias apresentou relação com a lateralidade esquerda da lesão e a dos distúrbios lingüístico-cognitivos com a lateralidade direita e com a presença de TCE, sendo menor o número de afásicos entre os pacientes com TCE do que no resto da amostra. A MIF apresentou associação com as alterações de linguagem, sugerindo que estas influenciaram o grau de independência dos pacientes. Conclusões: A comunicação e suas alterações estão ligadas às outras alterações cognitivas, motoras, sócio-culturais e pessoais do paciente, o que reforça a importância das equipes interdisciplinares no diagnóstico funcional e reabilitação dos pacientes com lesões encefálicas adquiridas.

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Cecatto, R. B., Jucá, S. H., Nacarato, M. I., Maeda, F. R. G., & Prieto, F. F. (2006). Alterações de comunicação e linguagem de pacientes portadores de lesão encefálica adquirida: estudo descritivo retrospectivo. Acta Fisiátrica, 13(3), 136–146. https://doi.org/10.11606/issn.2317-0190.v13i3a102735

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