Por uma nova compreensão do conceito de bem-estar: Martin Seligman e a psicologia positiva

  • Scorsolini-Comin F
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Abstract

Seligman, M. E. P. (2011). Florescer: Uma nova compreensão sobre a natureza da felicidade e do bem-estar (C. P. Lopes, Trad.). Rio de Janeiro: Objetiva. Uma das melhores formas de comentar sobre este livro é apresentando o seu autor. Martin E. P. Seligman é psicólo-go e professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. A principal infl uência durante a sua formação foi a Psicologia Experimental, seguida pelos mais de 35 anos de prática clínica. Como professor de psicopatologia, certa vez indagou-se a respeito da tendência da ciência psicológica em focar seus estudos nas doenças, nos aspectos disfuncionais, desconsiderando aspectos positivos do desenvolvimento. Foi a partir da década de 1990 que seus questionamentos começaram a dar origem a uma nova corrente, intitulada Psi-cologia Positiva. E foi a partir de 1997, quando ocupou a pre-sidência da American Psychological Association (APA), que seus estudos começaram a ser divulgados em todas as par-tes do mundo. Para a realização de suas pesquisas, recebeu apoio de importantes agências de fomento como o National Institute of Mental Health, National Science Foundation, Templeton Foundation, Robert Wood Johnson Foundation, Atlantic Philanthropies e MacArthur Foundation. O movimento batizado de Psicologia Positiva surgiu ofi cialmente nos Estados Unidos, em 1997/1998, a partir da iniciativa de Seligman que, com outros pesquisadores, começou a desenvolver pesquisas quantitativas visando à promoção de uma mudança no foco atual da Psicologia. A proposta é da modifi cação desse foco de uma reparação dos aspectos ruins da vida para a construção de qualidades positivas ou virtudes (Seligman & Csikszentmihalyi, 2000; Snyder & Lopez, 2009). Desde o seu surgimento, a Psico-logia Positiva não vem sendo divulgada apenas nos meios acadêmicos, desenvolvendo intervenções e propostas que convidam também os " não acadêmicos " a se benefi ciarem de suas práticas. Um exemplo desse crescimento é a Associação Internacional de Psicologia Positiva (AIPP), que possui mais de três mil membros distribuídos em 70 países, reunindo não apenas pesquisadores, como profi ssionais da Psicologia e de diversas áreas interessados no estudo do bem-estar. O livro em questão é dividido em duas partes, cada uma com cinco capítulos. Na primeira delas, intitulada Uma nova Psicologia Positiva, Seligman justifi ca o desenvolvimento de uma obra síntese sobre a Psicologia Positiva decorridos quase dez anos desde a publicação do livro Felicidade Autên-tica (Seligman, 2002), traduzido para o português em 2004, que o consagrou como o maior expoente desta perspectiva teórica no mundo. Neste novo livro, Seligman inicia com uma mudança no objeto da Psicologia Positiva: em 2004, buscava-se a felicidade; atualmente, o termo empregado é o bem-estar. Essa mudança de nomenclatura surgiu a partir de diversos questionamentos que destacavam a felicidade como um conceito complexo de ser operacionalizado em termos de um construto psicológico. A expressão bem-estar, em contra-partida, possui uma aceitação maior nos meios científi cos e acaba por resumir de modo mais adequado a proposta desse referencial. Uma nova defi nição de Psicologia Positiva se-ria, então, a ciência que investiga o bem-estar. No primeiro capítulo, o autor revela que o bem-estar pode ser mensurado em cinco fatores: emoção positiva, engajamento, sentido, re-lacionamentos positivos e realização. Desse modo, conceitua que o objetivo da Psicologia Positiva é aumentar o fl oresci-mento pelo aumento da emoção positiva, do engajamento, do sentido, dos relacionamentos positivos e da realização. Em suas palavras: " O bem-estar não pode existir apenas na sua cabeça: ele é uma combinação de sentir-se bem e efeti-vamente ter sentido, bons relacionamentos e realização. O modo como escolhemos nossa trajetória de vida é maximi-zando todos esses cinco elementos " (p. 36). No segundo capítulo, apresenta exercícios que visam a aumentar o bem-estar e diminuir a depressão. Tais exercícios são direcionados tanto a leigos como a acadêmicos que têm desenvolvido programas de intervenção sob o enfoque da Psicologia Positiva. São apresentados alguns casos clínicos, bem como resultados dessas intervenções em diferentes con-textos. A chamada Psicoterapia Positiva (PPT) é apresentada em 14 sessões com objetivos pontuais que visam a possibi-litar que o paciente promova o seu fl orescimento, ou seja, que desperte para um modo de vida mais adaptativo e com a presença de emoções como bom humor, esperança, resiliên-cia e otimismo. O terceiro capítulo se detém na explicitação de que os medicamentos e as psicoterapias tradicionais nem sempre buscam a cura, mas sim o alívio de sintomas. Essas 1 Endereço para correspondência:

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Scorsolini-Comin, F. (2012). Por uma nova compreensão do conceito de bem-estar: Martin Seligman e a psicologia positiva. Paidéia (Ribeirão Preto), 22(53), 433–435. https://doi.org/10.1590/s0103-863x2012000300015

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