Abstract
EDITORIAL Bonilha ALL. Reflexões sobre análise em pesquisa qualitativa [edi-torial]. Rev Gaúcha Enferm., Porto Alegre (RS) 2012 mar;33(1):8. Algumas práticas na análise de dados das pesquisas qualitativas merecem uma reflexão. No nosso programa de pós graduação em enfermagem adotamos a terminologia dados ao nos referirmos aos materiais, as informações, as imagens, aos sons ou a qualquer outro elemento que sirva de base para dar resposta aos objetivos pretendidos pela pesquisa. Embora esta práti-ca cause estranheza para alguns, é a terminologia empregada por Denzin e Lincoln, autores americanos reconhecidos internacionalmente no âmbito das pesquisas qualitativas. Outro ponto a ser destacado diz respeito à análise temática, metodologia freqüentemente empregada para as análises de conteúdo das pesquisas. Cabe observar que os dados obtidos na coleta não falam por si só; necessitam um processamento denominado de categorização, que pretende dar sentido as mensagens contidas nestes dados. No nosso contexto, as análises temáticas mais empregadas são as propostas pelas autoras Bardin e Minayo. Embora sejam semelhantes no seus processamentos há diferenças quanto aos pressupostos teóricos que ancoram estas duas abordagens; Minayo está apoiada no referen-cial materialista histórico dialético e Bardin no positivismo, referenciais que se opõem. O dese-nho da pesquisa, em todos os seus momentos, necessita ser coerente com os referenciais que sustentam a pesquisa. No processo de análise dos dados após organização e leitura exaustiva dos dados puros ou brutos, parte-se para a categorização dos mesmos até a obtenção dos temas, que constituem-se na etapa final deste processo. Quando adotada a proposta de Bardin obtém-se: primeiro as uni-dades de registro ou registo, após as categorias intermediárias e por último os temas. Na pro-posta de Minayo as etapas são: unidades de significação, categorias temáticas e temas. É indicada a utilização de aplicativos como ferramenta de apoio para a análise de dados de pesquisas qualitativas. No entanto, o emprego de aplicativos não dispensa o olhar do pesquisa-dor no processo de análise; é fundamental sua participação na definição das etapas da categori-zação dos dados pelos aplicativos, uma vez que os aplicativos auxiliam na sua organização. As-sim a obtenção dos temas, nas diferentes abordagens, requer o olhar atento e cuidadoso do pes-quisador.
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Bonilha, A. L. de L. (2012). Reflexões sobre análise em pesquisa qualitativa. Revista Gaúcha de Enfermagem, 33(1), 8–8. https://doi.org/10.1590/s1983-14472012000100001
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