Abstract
O mundo está em plena efervescência. Paradigmas científicos são rompidos, o desemprego aumenta, as pessoas adoecem no trabalho, mudam de carreira, enfim, vão se estruturando e sendo impactadas por estes novos processos produtivos. O objetivo da presente trabalho é discutir esses novos desafios postos à Psicologia por esse contexto de mudanças. A formação do psicólogo nos remete a três questões importantes: a realidade social que vem demandando a atuação deste profissional; a diversidade teórica e metodológica da psicologia; e a situação do ensino universitário no Brasil. Não há como refletir sobre o profissional que se pretende formar sem se analisar a sociedade onde ele atuará, a atividade que exercerá e a agência que o educará. Cada um destes aspectos será analisado nas suas especificidades, mas eles se interpenetrarão, inevitavelmente, no decorrer da exposição do assunto. Realidade Social e Demanda pelo Trabalho do Psicólogo A sociedade brasileira apresenta, hoje, algumas características que devem ser consideradas na reflexão que pretendemos: • no seu processo de produção social há uma divisão do trabalho que separa os indivíduos em classes que se apropriam desigualmente do produto do trabalho total. O conceito de classes não pressupõe grupos estanques de sujeitos, mas antagonismo e inter-dependência, em que uma classe só existe em oposição a outra. As relações sociais são essencialmente heterogêneas, de dominação e conflituosas; • não pode ser analisada fora do contexto internacional, onde o Brasil tem mantido posição de subordinação econômica, social e cultural em relação ao grande capital; • separa trabalho intelectual de trabalho manual, como em qualquer sociedade capitalista, que provoca uma cisão no processo de conhecimento entre teoria e prática; • promove acesso insuficiente da maioria da população ao ensino formal; • sua história gerou uma experiência democrática frágil, com a participação política da classe trabalhadora constantemente cerceada, a sociedade civil se organizando lentamente, determinando uma consciência social mais facilmente ideologizada pelos meios de comunicação de massa; • apresenta uma das maiores taxas de mortalidade infantil do mundo e índices elevados de subnutrição e desnutrição; • trabalho infantil precoce, que aumenta a cada dia, e um número, também crescente, de crianças e adolescentes que vivem nas e das ruas;
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Branco, M. T. C. (1998). Que profissional queremos formar? Psicologia: Ciência e Profissão, 18(3), 28–35. https://doi.org/10.1590/s1414-98931998000300005
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