Abstract
O artigo retoma algumas das experiências, movimentos e processos de aprendizagem e produção com o videotape junto a comunidades indígenas no Brasil, quando o equipamento de gravação em fita magnética começava a se popularizar com os formatos portáteis. O cineasta Andrea Tonacci se inquieta com as possibilidades do registro e reprodução simultâneas do videotape como parte da figuração da comunidade, como olhar processual, reflexivo. As camcorders dos Kayapó registraram discursos, viagens, eventos e rituais comunitários, antes mesmo das primeiras experiências do Vídeo nas Aldeias (VNA). O filme A festa da moça (1987), de Vincent Carelli, opera uma alteração naquilo que era imaginado como “olhar do outro” por Tonacci – e por muitas das produções do Vídeo Popular –, pois nos devolve um olhar deslocado, que presencia a retomada dos corpos dos jovens em comunidade, enfeitados e marcados como os antepassados, ao mesmo tempo que nos posiciona como espectadores não indígenas.
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Belisário, B. (2022). Rebobinando a fita: arqueologia do videotape nas aldeias. GIS - Gesto, Imagem e Som - Revista de Antropologia, 7(1), e181961. https://doi.org/10.11606/issn.2525-3123.gis.2022.181961
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