Iniciativa privada e saúde

  • Pereira Filho L
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O cidadão brasileiro-assim como os dos mais diferentes países-há décadas usa os serviços privados de assistência médica, hospitalar e labo-ratorial como alternativa ao atendimento público que não satisfaz às suas necessidades. Desde seu início, a saúde suplementar exibe uma enorme diversidade estrutural. As chamadas empresas de medicina de grupo foram mundialmente as pioneiras nesse mercado e começaram nos Estados Uni-dos, por volta de 1920. No Brasil, as primeiras empresas de medicina de grupo surgiram na década de 60 para atender, em princípio, aos trabalhadores do ABC paulista. As indústrias multinacionais que ali se instalavam, diante das deficiências da saúde pública, preocuparam-se em buscar outros meios para propiciar atendimento médico de qualidade a seus empregados. Estimularam médi-cos a formar empresas de medicina de grupo, com diferentes planos de saúde. O conceito evoluiu e prosperou em todo o país e, em 1997, planos de saúde feitos pelas empresas de medicina de grupo assistiam a cerca de 17 milhões de brasileiros Outra modalidade que se apresenta é a das cooperativas médicas, regidas e organizadas sob as leis do cooperativismo. Prestam assistência aos bene-ficiários por meio de contratos coletivos, familiares e individuais. As coope-rativas prescindem da figura do sócio majoritário ou controlador, de modo que os lucros de suas operações são divididos entre os cooperativados (mé-dicos e outros profissionais da área de saúde), segundo suas contribuições ao esforço comum. Em 1997, cerca dez milhões de brasileiros estavam filiados a esse sistema. Há também a modalidade da autogestão. Como o próprio nome dá a entender tem origem entre os grandes empregadores, que gerenciam pla-nos próprios de saúde para seus funcionários mediante contratação ou credenciamento de médicos e serviços, e de convênios com hospitais. A empresa que implanta a autogestão estabelece o formato do plano, define o credenciamento dos médicos e dos hospitais, estabelece as carências e coberturas. Em 1997, o sistema de autogestão atendia no Brasil cerca de nove milhões de pessoas. Finalmente, tem-se o modelo do seguro de saúde, inteiramente diver-so do conceito dos planos de saúde. Nesse caso, são empresas seguradoras que atuam na área da saúde suplementar, da mesma forma que em seus outros segmentos. O seguro de saúde surgiu como planos de custeios, garantindo aos segurados a livre escolha de médicos e hospitais por meio

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Pereira Filho, L. T. (1999). Iniciativa privada e saúde. Estudos Avançados, 13(35), 109–116. https://doi.org/10.1590/s0103-40141999000100011

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