Estado da arte sobre a Filogenia, Taxonomia e Biologia de Paraponerinae

  • Fernandes I
  • Souza J
  • Baccaro F
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Abstract

A subfamília Paraponerinae possui uma série de mudanças em sua classifi cação taxonômi- ca no decorrer da história. A utilização de dados morfológicos e moleculares em fi logenias mais re- centes, demonstrou que a posição de Paraponeri- nae dentro do grupo de poneromorfas ainda está indefi nida, visto que as relações fi logenéticas com as subfamílias Proceratiinae, Agroecomyrmecinae e Amblyoponinae ainda não foram esclarecidas. Paraponerinae possui duas espécies, Paraponera clavata, sua única espécie vivente, e Paraponera dieteri, espécie fóssil oriunda de âmbar Dominicano. As principais características morfoló- gicas do gênero são, os escobros antenais em forma de “v”, curvando-se detrás dos olhos; soquetes ante- nais ocultos pelos lobos frontais, localizados longe da margem anterior da cabeça; garras tarsais com dentes pré-apicais; e nodo peciolar longo e sub-retangular. São formigas grandes, as operárias podem chegar a mais de 2,5 cm. O tamanho das colônias pode variar entre 200 a 3000 operárias e o ninho está normalmente localizado na base de árvores. As operárias esta- belecem trilhas de forrageio estáveis, forrageando ativamente tanto no sub-bosque como no dossel. O hábito alimentar pode ser classifi cado como onívo- ro, já que operárias são frequentemente observadas forrageando em nectários extrafl orais e carregando pequenos invertebrados ou partes deles para o ni- nho. Estudos indicaram que o forrageamento em P. clavata é principalmente noturno, mas pode variar entre as colônias. Sua distribuição é ampla, com registros da Nicarágua, na América Central, até o Centro-Sul do Brasil. Mapas de distribuição em lar- ga escala sugerem que a ocorrência de P. clavata está mais correlacionada com variáveis abióticas, como pluviosidade e temperatura média, que com variá- veis bióticas, como tipo de vegetação. Paraponera clavata é conhecida por aplicar ferroadas extremamente dolorosas, ocasionando febre, tremores, sudorese fria, náuseas, vômito e arritmia cardíaca. A dor, no entanto, é o principal sintoma da picada, sendo extremamente violen- ta e capaz de permanecer por períodos de até 24 horas. O veneno da P. clavata é classifi cado como neurotóxico atuando diretamente no sistema ner- voso central dos insetos, bloqueando a transmis- são de sinapses e tem potencial para aplicação em inseticidas biológicos. Os indivíduos de P. clavata são popularmente conhecidos como “tocandiras ou tucandeiras”, são utilizados como elementos folclóricos. Na Região Norte do Brasil, índios Sa- teré-Mawé utilizam as tucandeiras em rituais de passagem para a vida adulta.

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Fernandes, I. O., Souza, J. L. P. de, & Baccaro, F. B. (2015). Estado da arte sobre a Filogenia, Taxonomia e Biologia de Paraponerinae. In As formigas poneromorfas do Brasil (pp. 43–53). EDITUS. https://doi.org/10.7476/9788574554419.0005

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