Abstract
O relato de caso é um dos tipos mais comuns de apresentação em congressos ou publicação em revistas. Embora não seja considerado uma fonte científica de alto nível de evidência (nível VII) 1 , é uma importante fonte de informação que, em geral, permanece esque-cida ou excluída dos grandes estudos multicêntricos 2 , e que pode fornecer subsídios fundamentais para o me-lhor tratamento dos pacientes em determinadas situa-ções. Por exemplo, a primeira publicação sobre a associação de sarcoma de Kaposi e AIDS foi feita através de um relato de caso 3. O mesmo ocorreu com o primeiro relato de implante de endoprótese para trata-mento de aneurisma de aorta abdominal 4,5. De acordo com as normas da maioria das revistas, inclusive esta, a comunicação de um caso é pertinente quando a entidade diagnosticada é rara, o tratamento é pioneiro ou tem alguma inovação, ou o resultado é inusitado. Do ponto de vista ético, de acordo com algumas Comissões de Ética, aparentemente não há necessidade de aprovação prévia para relato de casos, mas havendo a oportunidade, recomenda-se obter o consentimento do paciente. Conflitos de interesse de-vem ser declarados. Para que o relato de caso cumpra este papel infor-mativo importante, é preciso que tenha conteúdo e seqüência apropriados. A estrutura básica do relato de caso inclui título, resumo, uma introdução com obje-tivo, a descrição do caso, técnica ou situação, uma discussão com revisão da literatura, conclusão e biblio-grafia. Adicionalmente, figuras, tabelas, gráficos e ilus-trações complementam este tipo de publicação. No total, o manuscrito deve ter cerca de 1.500 a 2.500 palavras e no máximo 20 ou 30 referências. Como toda publicação, o texto deve ser simples, claro, preciso e conciso 6. O título deve ser sucinto, descritivo e acurado 2. O resumo deve conter entre 150 e 200 palavras, e contem-plar todos os itens descritos no texto. Dependendo da revista, deverá ou não ser estruturado. A introdução deve ser igualmente concisa e conter informação dispo-nível sobre o assunto, o contexto, o mérito e o objetivo do relato, de modo a atrair a atenção do leitor. É recomendável que se faça uma revisão extensa da literatura sobre o assunto, mas não é obrigatório que o artigo contemple tudo o que foi levantado, apenas o que for mais relevante e abrangente 7. Se o número de citações encontradas for pequeno, pode-se colocá-las em ordem cronológica ou, se forem em grande número, pode-se agrupá-las por algum critério 6. A estratégia de busca das referências e bases de dados consultadas deve ser informada. Normalmente, deve-se incluir nesta pesquisa pelo menos as bases do MEDLINE, EMBASE, LILACS e SciELO. Referências de artigos de revisão, de revisões sistemáticas e de metanálises devem igualmente ser exploradas para uma revisão abrangente. Na descrição do caso, a seqüência deve ser cronoló-gica, organizada, com detalhes suficientes para que o leitor estabeleça sua interpretação, eliminando dados supérfluos, detalhes de datas dos exames, dados confu-sos ou não confirmados. Em se tratando de vários casos, estes devem ser sequencialmente relatados. Qualquer * Editor-chefe, J Vasc Bras.
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Yoshida, W. B. (2007). Redação do relato de caso. Jornal Vascular Brasileiro, 6(2), 112–113. https://doi.org/10.1590/s1677-54492007000200004
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