Abstract
Este trabalho analisa extratos de discursos gravados em áudio e vídeo e transcritos em 492 turnos de uma intervenção pedagógica (IP) no ensino de química, envolvendo discussão com alunos sobre racismo, as raízes históricas do racismo no Brasil a partir da diáspora africana e os conceitos envolvidos no estudo das propriedades dos metais, contribuindo para a implementação da lei 10.639/03 no ensino de Química. A contextualização da IP foi realizada por meio de recurso imagético sobre o racismo no Brasil. Os resultados mostraram que os alunos se apropriaram dos conceitos explorados na IP que se caracterizou como uma possibilidade de ensinar a partir da ciência de matriz africana e desconstruir a visão de ciência hegemônica: branca, europeia, masculina e de laboratório. Ensino de química, Lei 10.639/03, diáspora africana no Brasil De acordo com Santos (1990), a ideia de que existem raças é um produto social, assim como os estereótipos de cada raça em que se dividiria a espécie humana. Segundo o autor, o racismo é a suposição de que há raças e a conseguin-te atribuição biogenética de fenômenos sociais e culturais, além de uma forma de dominação de um grupo e ainda a justificativa para tal dominação baseada apenas no fenótipo, ou seja, pura ignorância. Dados do último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010) constataram que ne-gros e pardos são maioria no Brasil, mais especificamente 50,7% do total de brasileiros autodeclarados. A maioria desses sujeitos sociais está concentrada nas regiões norte e nordeste e possui um rendimento médio em torno de R$800,00, bem inferior à renda média de brancos e ama-relos de, aproximadamente, R$1.500,00. Tais dados nos le-vam a concluir que, mesmo sendo a maioria, a comunidade negra brasileira é desvalorizada como força de trabalho. Soma-se a isso o fato de que a juventude negra entre 19 a 29 anos é mais exposta à violência letal do que jovens brancos, como concluíram Oliveira Junior e Lima (2013). Analisando dados do Ministério da Saúde e do IBGE, os autores perceberam que em 2009, para cada 100 mil habitantes a taxa de homicídios foi de 72,4 jovens negros, enquanto que para o mesmo número de habitantes a taxa foi de 30,4 para juventude branca. Mesmo entre os jovens negros e brancos que possuem mesmo nível de escolarida-de, para que não se julgue ser apenas um problema social e não uma questão racial, em 2009 se teve uma taxa maior de homicídio para os negros. A pesquisa coordenada pela médica Maria do Carmo Leal (Fundação Osvaldo Cruz) analisou prontuários de 9.633 grávidas (brancas e negras) atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio de Janeiro, tendo sido constatadas situações discriminatórias em relação às negras. O dado mais marcante da pesquisa diz respeito à anestesia no parto nor-mal: apenas 13,5% das brancas não receberam contra 21,8% das negras. Apoiamo-nos em Zapater para afirmar que os dados apresentados demonstram " o tratamento diferenciado dispensado às gestantes negras, sem qualquer outro fator de discrímen perceptível que não a cor da pele (já que todas as pesquisadas, sendo usuárias do SUS, presumem-se pro-venientes de um mesmo estrato social) (...) " (2015, p.163). A comunidade negra brasileira sofre discriminação até mesmo no âmbito dos tribunais de justiça, tal como indicam os resultados da pesquisa de Adorno e colaboradores reali-zada entre 1992 e 1993:
Cite
CITATION STYLE
M. Canavarro Benite, A., Abranches Bastos, M., J. R. Camargo, M., N. Vargas, R., L. M. Lima, G., & R.M. Benite, C. (2017). Ensino de Química e a Ciência de Matriz Africana: Uma Discussão Sobre as Propriedades Metálicas. Química Nova Na Escola, 39(2). https://doi.org/10.21577/0104-8899.20160069
Register to see more suggestions
Mendeley helps you to discover research relevant for your work.