Abstract
Este artigo examina a noção de estabilização dentro das doutrinas das potências ocidentais, particularmente dos EUA, e suas implicações no campo das operações de paz contemporâneas. Adotando as lentes analíticas dos Estudos para a Paz, o artigo procura mostrar que a elucidação do significado do rótulo estabilização não é mera questão de semântica, mas importa precisamente porque tem implicações explanatórias, normativas e conceituais importantes para a compreensão das mudanças em curso no modelo de intervenções internacionais justificadas em nome da paz. De uma perspectiva explanatória, o artigo sugere a hipótese deque as transformações mais recentes nas missões de paz da ONU, sobretudo o seu perfil cada vez mais intrusivo e ofensivo, refletem influências recebidas das experiências e doutrinas de estabilização desenvolvidas nas últimas duas décadas pelas potências ocidentais sob o guarda-chuva da OTAN. Indo além dessa preocupação explanatória, o artigo contribui para a compreensão das implicações normativas e conceituais que o foco na estabilização e suas fortes conotações estratégico-militares trazem para o tradicional papel de árbitro imparcial da ONU no campo da Resolução de Conflitos e para a agenda crítica dos Estudos para a Paz.
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Oliveira, G. C. (2020). O conceito de estabilização. Carta Internacional, 15(2). https://doi.org/10.21530/ci.v15n2.2020.1019
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