Abstract
Existem poucas reg10es do mundo onde o indígena tenha conhecimentos mais amplos das propriedades das plantas que a parte no-roeste da bacia Amazônica . Esta bacia com preende toda a parte amazônica da Colômbia e Equador, mais uma grande parte dos setores adjacentes do Bras il e do Peru. O noroeste da Amazônia está povoado por muitas tribos espalhadas, extremamente dife-rentes em origem. cultura. língua e maneira de aproveitar as riquezas da vegetação am-biental natural . Além disso, · este recanto da Amazônia tem, provavelmente , a flora mais rica em nú-mero de espécies de toda a bacia, com um cálculo de mais de 65.000 espécies. A combinação da diversidade de raças in-dígenas com a riqueza da flora é, em si mes-ma , razão suficiente para justificar um estudo etnobotânico a fundo da região. É, porém, uma região por demais ameaçada pela acultu-ração, indicando assim , que não devemos per-der tempo em por nossa atenção nos conheci-ment os dos nativos que estão a ponto de desaparecer para sempre. Existem várias justificativas para realizar estudos etnobotânicos . O valor puramente acaóêmico é justificativa suficiente . Hoje, po-rém, quero enfocar mais os resultados práti-cos que poderiam advir ao considerar os co-nhecimentos etnofarmacológicos indígenas do noroeste da Amazônia . Existem usos interessantíssimos das plan-tas da região que não é possível explicar com base no que atualmente sabemos de fitoquí-mica . Existem dois polos divergentes acerca da etnofarmacologia amazônica. Alguns inves· tigadores acreditam que os indígenas têm uma intuição especial que lhes torna possível des-cobr ir as propriedades do Reino Vegetal . Há outros que ridicularizam todo o folclore nati-vo, afirmando que não é digno de atenção sé-ria . Naturalmente, ambos os pontos de vista são errôneos . Os conhecimentos dos índios resultam simplesmente de uma associação ír·-tima com a vegetação ambiente por muito tempo . E:xiste um estudo estatístico recente da medicina empírica dos Astecas do México . Indica que suas plantas medicinais parecem ser etetivas quando julgadas por padrões na-tivos. Das 25 plantas avaliadas , 16 podem, se-gundo suas constituições químicas, produzir os efeitos que a medicina asteca proclama ; 4 podem, possivelmente, ter atividade; 5 -ou seja, somente 20% -não possuem os princí-pios químicos necessários.
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Schultes, R. E. (1979). Indícios da riqueza etnofarmacológica do noroeste da Amazônia (). Acta Amazonica, 9(1), 209–215. https://doi.org/10.1590/1809-43921979091209
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