Abstract
O artigo objetiva analisar a rede de poderes na prisão e os vetores de sujeição sobre os corpos de mulheres presas em uma penitenciária mista localizada no município de Parnaíba, no Piauí. Por meio das estratégias metodológicas de observação participante e de diálogos com essas mulheres são analisadas suas dimensões da vida, como saúde, sexualidade, trabalho, bem como outros comportamentos. Para isso, utiliza os conceitos de biopolítica, apresentado por Michel Foucault, e necropolítica, proposto por Achille Mbembe, como conceitos-chave de leitura para compreender o sistema prisional brasileiro, mais especificamente o massivo encarceramento feminino. Observa-se o controle biopolítico e necropolítico dos corpos femininos, como a ausência ou insuficiência dos serviços específicos para saúde feminina, a precária alimentação fornecida, a limitação de suas sexualidades, além do abandono ou esquecimento a que muitas são submetidas no cárcere. Constatou-se que o sistema penal opera por meio de práticas machistas, classistas e racistas, prolongamento da estruturação social excludente e discriminatória, concedendo às mulheres presas pesos maiores em suas penalizações. Mas também há resistência, como a organização e solidariedade do grupo, as transgressões de normas e a construção de amizades.
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Nunes, C. C., & Macedo, J. P. (2021). “Corpos encaliçados de prisão”: Mulheres e Subjetividades em Exceção. Revista Subjetividades, 21(1). https://doi.org/10.5020/23590777.rs.v21i1.e10577
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