Abstract
list. The results show great variability in the percentage of theme identification among different lists and suggest further studies in this field of research to better understand the role of theme identifiability on the formation of false memories. Key-words: Backward associative strength, DRM paradigm, False memories, Identifiability. O presente artigo tem como objectivo apresentar normas de identificabilidade de listas de palavras utilizadas no paradigma DRM (Deese, 1959; Roediger & McDermott, 1995). Este paradigma tem sido um dos mais utilizados na investigação sobre memórias falsas, ilustrando como podemos facilmente recordar acontecimentos que na realidade não ocorreram. Até as memórias falsas serem alvo de investigação, os erros de memória foram vistos como uma medida pouco interessante para o estudo da memória. Em tarefas de recordação ou reconhecimento de palavras, as respostas que reflectiam uma memória correcta da informação estudada eram contabili -zadas e analisadas, sem que as respostas erradas fossem sujeitas a qualquer tipo de análise. Porém, nos últimos anos o estudo dos erros ou distorções de memória passou a ser o objectivo de uma parte substancial da investigação realizada na área (Loftus, 2005), contribuindo assim para a clarificação da noção de falibilidade da memória e pondo em causa a ideia de que a memória seria um registo fiel dos acontecimentos ocorridos. A importância do paradigma DRM (Deese, Roediger e McDermott) prende-se com o facto de demonstrar a existência de memórias falsas em contextos laboratoriais altamente controlados (ver um sumário da maior parte dos estudos na área em Gallo, 2010). O paradigma consiste na apresentação de listas, compostas por palavras associadas (e.g., inverno, quente, calor, neve, gelo, casaco, roupa, lareira, desconforto, cachecol, arrepio, tremer, agasalho, cama, aquecedor) a outra palavra, denomi -nada de item crítico (e.g., frio) e que não é apresentada. Ao solicitar a recuperação da informação que foi memorizada, os participantes tendem a recordar e a reconhecer esses itens críticos como tendo estado presentes nas listas, fazendo-o com um elevado grau de confiança, dando assim lugar à produção de memórias falsas (Roediger & McDermott, 1995). Este paradigma foi inicialmente concebido por Deese (1959) com o objectivo de estudar a natureza associativa da memória. Só mais tarde, quando Roediger e McDermott (1995) o recuperaram, esses erros passaram a ser denominados de memórias falsas. Este paradigma tem contribuído para a noção de que a nossa memória é construtiva e não se baseia na mera reprodução dos acontecimentos. Para grande parte das nossas actividades tal apresenta-se como uma vantagem, pois mais eficazmente relacionamos e activamos informação mesmo que ela não tenha sido experienciada. No entanto, o efeito adverso dessa activação é que isso pode levar à produção de uma memória falsa, ou seja, pode originar que algo que foi apenas indirectamente activado seja erradamente recordado como uma informação que na realidade ocorreu. Tendo em consideração que este paradigma se baseia na convergência temática da informação, torna-se importante quantificar o poder de cada lista em levar à extracção ou identificação do seu tema. Neste artigo pretendemos analisar as percentagens de identificabilidade dos temas de listas associativas já construídas para a população portuguesa (Albuquerque, 2010), facilitando assim o desenvolvimento futuro de investigação sobre memórias falsas em língua portuguesa. As palavras das listas usadas no paradigma DRM são produzidas através de tarefas de associação livre, em que se pede aos participantes para gerarem outras palavras que possam estar relacionadas com as que lhes são apresentadas. Para a língua portuguesa foram criadas listas de associação anterógrada (i.e., forward – Albuquerque, 2005; Valchev, Garcia-Marques, & Ferreira, 2005) a partir dos itens que estavam mais fortemente associados a palavras-alvo, consideradas a partir daí as palavras ou itens críticos das listas. Até há bem pouco tempo estas foram as únicas listas que possibilitaram a investigação
Cite
CITATION STYLE
Carneiro, P., Ramos, T., Costa, R. S., Garcia-Marques, L., & Albuquerque, P. (2013). Identificabilidade dos temas de listas formadas por associação retrógrada (backward): Contributo para o estudo das memórias falsas. Laboratório de Psicologia, 9(1). https://doi.org/10.14417/lp.634
Register to see more suggestions
Mendeley helps you to discover research relevant for your work.