A autoavaliação de escolas: tensões e sentidos da ação

  • Correia A
  • Fialho I
  • Sá V
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Abstract

No contexto educativo português a questão da avaliação das organizações escolares tem vindo a ocupar um lugar de destaque na agenda das políticas educativas, onde os processos de avaliação externa e de autoavaliação são apontados como instrumentos decisivos para a melhoria da qualidade do serviço educativo. Porém, numa era de responsabilização (accountability) das escolas pelos resultados escolares, de aumento da pressão para avaliações externas e de elaboração de rankings não tem sido fácil para as escolas desenvolverem processos de autoavaliação que tenham em conta a sua totalidade e consigam promover a capacidade de mudança e melhoria interna. Num contexto onde os objetivos são, por vezes, inconsistentes e não consensuais e as tecnologias pouco claras e frequentemente mal dominadas, a ação organizacional em torno dos processos avaliativos acaba por refletir o jogo dos atores. Integrada numa investigação mais ampla, em curso, com a finalidade de averiguar os efeitos do programa de avaliação externa das escolas (AEE) nas dinâmicas de autoavaliação e nos planos de ação para a melhoria da escola, na presente comunicação restringe-se a abordagem e procura-se conhecer como se desenvolve o processo de autoavaliação nas escolas. Questiona-se essencialmente: (1) como se desenvolve o processo de conceção e implementação da autoavaliação? (2) quais os constrangimentos ao desenvolvimento de processos de autoavaliação?. O estudo geral no qual a comunicação se baseia insere-se numa matriz de cariz essencialmente qualitativo e opta pelo estudo de casos múltiplos, aplicado a cinco escolas (2 escolas secundárias e 3 agrupamentos de escola). Como fonte de informação recorreu-se à observação, entrevistas, e inquérito por questionário. Nesta comunicação apresentam-se essencialmente os resultados das trinta e sete entrevistas realizadas a atores da comunidade educativa com diferentes funções nas escolas. Os resultados preliminares tendem a evidenciar que as organizações educativas, nas respostas às prescrições externas para a sua avaliação e melhoria, recorrem a estratégias e táticas plurais, de tal modo que os processos de autoavaliação, mais do que alimentarem processos de melhoria na prestação do serviço educativo, configuram processos de adaptação que lhes permitem assegurar a sua credibilidade social e a legitimidade organizacional.

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Correia, A. P., Fialho, I., & Sá, V. (2015). A autoavaliação de escolas: tensões e sentidos da ação. Revista de Estudios e Investigación En Psicología y Educación, 100–105. https://doi.org/10.17979/reipe.2015.0.10.535

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