Cultivando proliferações indomáveis: considerações antropológicas sobre as políticas de proteção à infância

  • Fonseca C
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Resumo Por uma reflexão voltada para políticas de adoção infantil, procuro estabelecer uma ponte entre, por um lado, episódios etnográficos - densos e contextualmente situados - e, por outro, sistemas abrangentes com consequências em larga escala e de longo alcance. Operacionalizo essa proposta pela análise das infraestruturas administrativa, estatística e burocrática que conectam as filosofias políticas do momento às atitudes e ações dos variados atores (profissionais, servidores e usuários) sob observação. Essa abordagem permite rastrear através das últimas décadas os instrumentos tecnológicos - em particular, estatísticas, cadastros e formulários - cunhados para estabilizar determinadas políticas de adoção. Ao mesmo tempo, atento às “proliferações” (Tsing; Mathews; Bubandt, 2019) - produto e produtor de tensões do próprio sistema - que levam acontecimentos em direções inesperadas. Ao apreciar esses eventos que iniciam quase sempre em escala limitada e com consequências incertas, minha intenção é restituir o poder desses exemplos a alimentar certa esperança - profundamente pragmática, epistemologicamente ambivalente e subarticulada - em possibilidades futuras ainda sequer imaginadas.Abstract In the following reflection on child adoption policies, we seek to establish a bridge between, on the one hand, ethnographic episodes - dense and contextually situated - and, on the other hand, comprehensive systems with large-scale and far-reaching consequences. To carry out this endeavour we analyze the administrative, statistical and bureaucratic infrastructures connecting political philosophies of the moment to the attitudes and actions of the various actors (professionals, servants and users) under observation. This approach allows us to trace throughout the past few decades of technological instruments - in particular, statistics, registries and forms -, designed to stabilize certain adoption policies. At the same time, we pay close attention to “proliferations” (Tsing; Mathews; Bubandt, 2019) - product and producer of tensions in the system itself - that conduct matters in unexpected directions. In appreciating these events that almost always start on a limited scale and with uncertain consequences, our intention is to enhance the power of these examples to nurture a certain hope - deeply pragmatic, epistemologically ambivalent and subarticulated - in yet unfathomed possibilities.

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Fonseca, C. (2021). Cultivando proliferações indomáveis: considerações antropológicas sobre as políticas de proteção à infância. Horizontes Antropológicos, 27(60), 419–451. https://doi.org/10.1590/s0104-71832021000200015

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