Abstract
Apresento o conceito de ficção como um recurso metodológico para as ciências, partindo da proposta genealógica de Michel Foucault que compreende a ficção como uma potência de desestabilização dos regimes de saber/poder, assim como de interpelação dos regimes de sensibilidade com que o presente é percebido. Nesse sentido, o termo ficção constitui uma alternativa ético-política ao conceito de utopia, uma vez que este faz funcionar estratégias macropolíticas e universalizantes, ao passo que a ficção oferece uma alternativa micropolítica para a problematização da realidade atual para além da configuração histórica com que ela se apresenta.I present the concept of fiction as a methodological tool for contemporary science, through the Michel Foucault's genealogical approach that understands fiction as potency for destabilizing the knowledge/power regimes, as well as to challenge the sensibility regimes in which one can perceive the present. Hence the term fiction is an ethical-political alternative to the concept of utopia, since utopia enhances macro politics and universalizing strategies, as fiction offers a micro politic alternative to interrogate actual reality beyond the historical form as it presents itself.
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Silva, R. L. (2014). A ficção: uma aposta ético-política para as ciências. Fractal : Revista de Psicologia, 26(spe), 577–592. https://doi.org/10.1590/1984-0292/1327
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