Abstract
E STAMOS habituados a classificar as diferentes filosofias da história em con- sonância com seu caráter progressista ou conservador, revolucionário ou nostálgico em relação ao passado. Walter Benjamin escapa a tais classifica- ções. Trata-se de um crítico revolucionário da filosofia do progresso, um adver- sário marxista do “progressismo”, um nostálgico do passado que sonha com o futuro. A recepção de Benjamin, sobretudo na França, interessou-se prioritariamente pela vertente estética de sua obra, com certa propensão a considerá-lo, sobretu- do, historiador da cultura ou crítico literário. Ora, sem negligenciar esse aspecto, se faz necessário evidenciar o alcance muito mais vasto de seu pensamento, o qual visa nada menos que uma nova compreensão da história humana. Os escri- tos sobre arte ou literatura só podem ser compreendidos em relação a essa visão de conjunto a iluminá-los de seu interior. A filosofia da história de Walter Benjamin bebe em três fontes diferentes: o romantismo alemão, o messianismo judeu e o marxismo. Não é uma combinatória ou “síntese” dessas três perspectivas (aparentemente) incompatíveis, mas a in- venção, a partir delas, de uma nova concepção, profundamente original. A expressão “filosofia da história” pode induzir a erro. Não há, em Benja- min, um sistema filosófico: toda sua reflexão toma a forma do ensaio ou fragmento – quando não se trata da citação pura e simples, com passagens retiradas de con- texto e colocadas a serviço de sua própria dinâmica. Qualquer tentativa de siste- matização é, portanto, problemática e incerta. As breves notas a seguir são ape- nas algumas pistas de pesquisa.
Cite
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Löwy, M. (2002). A filosofia da história de Walter Benjamin. Estudos Avançados, 16(45), 199–206. https://doi.org/10.1590/s0103-40142002000200013
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