Abstract
M.T. JORGE, L.A. RIBEIRO UNITERMOS: Picada de cobra. Envenenamento. Soro antio-fídico. Tratamento. KEY WORDS: Snake bites. Poisoning. Antivenom. Treatment. doseamento do soro antibotrópico, por exemplo, é atualmente realizado por meio da soroneutrali-zação, in vitro, de cinco doses letais 50% (DL50) de veneno de B. jararaca incubadas com diferentes volumes do soro e posterior inoculação da solução, em camundongos, por via intraperitoneal 10. Obser-vando-se a sobrevida de 50% dos camundongos (DE50), pode-se avaliar o poder neutralizante do soro. A simples substituição do método Vital Brazil, que utiliza o pombo como animal de experimentação, para o método atual fez com que um mesmo soro antibotrópico passasse a ser considerado como tendo o dobro da capacidade de neutralização 11. Embora úteis, evidentemente, nenhuma dessas formas de doseamento corresponde à situação clínica em que o soro será utilizado. Embora não seja rotina a soro-neutralização, pode, também, ser realizada in vivo, inoculando-se, separadamente, veneno e soro sem prévia neutralização, de forma mais parecida com o que acontece no tratamento clínico 12,13. Também nes-sas condições, diferentes vias de inoculação do vene-no e do soro ou diferentes períodos de tempo entre a administração de um e do outro podem acarretar resultados discrepantes. A inoculação intramuscular do veneno de Bothrops ou de Crotalus, em camundongos, com posterior administração intraperitoneal de antive-neno, mostrou que, quando se administra o anti-veneno 30 minutos após a inoculação do veneno, para se obter o mesmo efeito da sua administração concomitante, é necessário utilizar-se dose cerca de três vezes maior 12,13. Uma dose de anticorpo (anti-veneno) que, administrada imediatamente após a inoculação de uma certa quantidade do antígeno (veneno) é capaz de neutralizá-la totalmente, tam-bém deveria neutralizar todo o antígeno ainda dispo-nível, quando administrada trinta minutos após. Nesse caso, a triplicação da dose não deveria melho-rar a resposta terapêutica. Pode ser, entretanto, que para se obter maior rapidez na neutralização haja necessidade de uma relação entre moléculas de anticorpos e de antígenos mais favorável ao primei-ro. Sendo assim, a dose ideal de soro para o trata-mento não seria aquela capaz de neutralizar o vene-no e, sim, a que o fizesse em curto espaço de tempo São notificados, anualmente, mais de 20.000 aci-dentes por serpentes peçonhentas no Brasil e mais de 2.000 somente no Estado de São Paulo. Bothrops (jararacas), Crotalus (cascavel), Lachesis (suru-cucu) e Micrurus (coral verdadeira) foram responsá-veis por, respectivamente, 88,3%, 8,3%, 2,7% e 0,7% dos acidentes notificados no país, de junho de 1986 a dezembro de 1987, em que se fez referência ao gênero da serpente 1,2. O tratamento específico desses enve-nenamentos é realizado com soro eqüino contra venenos de serpentes do mesmo gênero da que cau-sou o acidente 3-5. Exceto para Crotalus e para Lachesis, por só haver no Brasil uma espécie de cada 6 , soros antiofídicos específicos para cada espé-cie não são disponíveis no país 3,5. As doses recomen-dadas foram, inicialmente, baseadas na estimativa da quantidade de veneno que a serpente poderia inocular e na capacidade neutralizante do soro men-surada por soroneutralização in vitro e posterior inoculação em animais de experimentação 7,8. Nas últimas décadas, baseou-se, também, em opiniões de médicos com experiência clínica não controlada 3-5,9. A quantidade de veneno que as serpentes inocu-lam durante o bote defensivo é estimada pelo quanto se pode extrair de exemplares da mesma espécie 7,8. Um erro, entretanto, pode advir do fato da quantida-de de veneno que pode ser extraída pelo homem não ser necessariamente a mesma que a serpente conse-gue inocular. Após a estimativa da quantidade de veneno que pode ser inoculada, bastaria saber, para o tratamento do paciente, o volume de soro neces-sário para neutralizá-la 8. Se a maior quantidade de veneno que se podia extrair, por exemplo, de Bothrops jararaca era cerca de 160mg, acreditava-se que um volume de soro suficiente para neutralizá-la seria suficiente para o tratamento de, virtualmente, todos os envenenamentos por essa serpente 8. Nesse ponto, entretanto, o erro pode ser ainda maior. O
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Jorge, M. T., & Ribeiro, L. A. (1997). Dose de soro (antiveneno) no tratamento do envenenamento por serpentes peçonhentas do gênero Bothrops. Revista Da Associação Médica Brasileira, 43(1), 74–76. https://doi.org/10.1590/s0104-42301997000100016
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