Abstract
Objetivo. Apresentar os resultados do Projeto Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento na América Latina e Caribe (SABE) no que tange ao desempenho funcional, às demandas assis- tenciais e aos arranjos familiares dos idosos do Município de São Paulo, Brasil. Métodos. Em 2000, foram entrevistados 2 143 indivíduos com 60 anos ou mais, utilizando- se o questionário padronizado do SABE. A amostra foi obtida em dois estágios, utilizando-se setores censitários com reposição e com probabilidade proporcional à população. A comple- mentação da amostra de pessoas de 75 anos ou mais foi realizada através da localização de mo- radias próximas aos setores selecionados. Os dados finais foram ponderados, de forma a serem expandidos. O desempenho funcional foi medido pela capacidade dos idosos de executar ativi- dades básicas de vida diária (ABVD, atravessar um cômodo da casa, comer, deitar-se e levan- tar da cama, usar o vaso sanitário, vestir-se e despir-se e tomar banho) e atividades instru- mentais de vida diária (AIVD, comprar e preparar alimentos, realizar tarefas domésticas leves e pesadas, ir a outros lugares sozinho, usar o telefone, tomar os próprios medicamentos e ma- nejar dinheiro), sendo a limitação funcional (demanda assistencial) definida como a necessi- dade de ajuda para executar pelo menos uma dessas atividades. Os 66 tipos de arranjos domi- ciliares identificados foram agrupados em sete categorias, de acordo com a presença ou não de co-residentes e o grau de parentesco entre o idoso e os co-residentes. Resultados. Dos entrevistados, 19,2% apresentaram limitações funcionais nas atividades básicas e 26,5% nas atividades instrumentais, sendo a maior proporção entre mulheres e na velhice avançada. A proporção de idosos com limitações que recebeu ajuda variou, nas ativida- des básicas, de 25,6% (para deitar-se e levantar da cama) a 70,5% (para comer), e nas instru- mentais, de 79,7% (para a execução de tarefas domésticas leves) a 97,8% (para comprar ali- mentos). Quanto aos arranjos familiares, a maioria dos idosos morava com o cônjuge e os filhos ou apenas com os filhos (32,1%) ou somente com o cônjuge (20,0%). O arranjo domiciliar em que a maior proporção de idosos com limitação funcional recebia ajuda (56,4%) foi aquele no qual o idoso residia também com não-familiares. Conclusão. Os idosos com limitações funcionais não estão sendo assistidos suficientemente pela família ou co-residentes, e as políticas públicas não suprem esse déficit assistencial. Dado o acelerado processo de envelhecimento da população, o sistema de assistência corre o risco de se tornar não só insuficiente, mas caótico.
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Duarte, Y. A. de O., Lebrão, M. L., & Lima, F. D. de. (2005). Contribuição dos arranjos domiciliares para o suprimento de demandas assistenciais dos idosos com comprometimento funcional em São Paulo, Brasil. Revista Panamericana de Salud Pública, 17(5–6), 370–378. https://doi.org/10.1590/s1020-49892005000500009
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