Abstract
A desinformação é hoje objeto de intenso debate, principalmente por conta dos riscos à democracia. Os contornos do fenômeno, contudo, remanescem relativamente imprecisos. Desinformação é comumente associada à mentira ou à liberdade de expressão. O artigo sustenta que a desinformação deve ser entendida como operação social, e não como conduta individual: ela orienta o comportamento humano, a despeito da falsidade, ao permitir uma atribuição de sentido ao mundo. Como isso acontece? Para responder a essa pergunta, o trabalho integra quatro eixos de análise: (i) a fragmentação da esfera pública permite compreender o ambiente em que se desenvolve a ubiquidade das novas mídias digitais; (ii) o modelo de negócios baseado no engajamento on-line reverte características básicas da esfera pública: a integração de pontos de vista conflitantes; (iii) essa reversão produz efeitos para o indivíduo que simulam o comportamento de massa (contágio emocional e suspensão da racionalidade); e (iv) a reiteração de um enunciado linguístico produz um “efeito-verdade” para a desinformação ao permitir que o destinatário use o enunciado para atribuir sentido ao mundo. O artigo propõe uma sociologia interdisciplinar da desinformação, oferecendo uma descrição inédita e precisa dos processos sociais que estruturam o fenômeno.
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Bachur, J. P. (2021). Desinformação política, mídias digitais e democracia: Como e por que as fake news funcionam? Direito Público, 18(99). https://doi.org/10.11117/rdp.v18i99.5939
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