Abstract
No litoral brasileiro, a legislação costuma regular as práticas pesqueiras segundo o ciclo de vida das espécies-alvo, mas o fato deste não ser coincidente entre as espécies dominantes nas capturas dificulta o manejo em pescarias multiespecíficas. No litoral de Santa Catarina, o defeso aplica-se apenas à pesca de arrasto, e para tal considera o período reprodutivo do camarão sete-barbas, Xyphopenaeus kroyeri. O presente trabalho investiga a incidência da atividade pesqueira sobre indivíduos em reprodução da betara preta, Menticirrhus americanus, espécie comercialmente apreciada e frequente nas pescarias. As amostragens ocorreram em 2006 e 2007, em desembarques do município de Itapoá, norte do Estado (26°00’S; 48°36’W). Calcularam-se os valores de proporção sexual, frequência de estádios de maturação, índice gonadossomático e tamanho de primeira maturação, e relacionou-se a captura de indivíduos em reprodução com a época do ano e a arte de pesca utilizada. Concluiu-se que a atividade pesqueira incide sobre uma parcela populacional que compreende indivíduos em atividade reprodutiva durante, ao menos, duas estações do ano. Há diferenças entre as artes de pesca: a de arrasto não atinge indivíduos em reprodução; a de caceio atua majoritariamente sobre jovens e em maturação; e a de fundeio, principalmente sobre indivíduos em atividade reprodutiva, sobretudo na primavera e no verão.
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Muniz, E. D. R., & Chaves, P. D. T. (2008). Condição reprodutiva da betara preta, Menticirrhus americanus (Teleostei, Sciaenidae), na pesca realizada no litoral norte de Santa Catarina, Brasil. Acta Scientiarum. Biological Sciences, 30(4). https://doi.org/10.4025/actascibiolsci.v30i4.1230
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