A valorização das plantas medicinais como alternativa à saúde: um estudo etnobotânico

  • Rodrigues T
  • Leandro Neto J
  • Carvalho T
  • et al.
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Abstract

O Estado Santa Catarina é dotado de reconhecida biodiversidade, grande variedade de paisagens naturais: mata atlântica, litoral e cadeias de montanhas e de serras, sendo que Águas Mornas é classificada como área de imigração colonial de europeus (sec. XIX). Além disso, trata-se de uma região de rica diversidade cultural, composta por migrantes de outras regiões do Brasil, resultando em miscigenação cultural, o que atua decisivamente na utilização das plantas medicinais. Para entender o uso desses recursos naturais, suas relações existentes entre o homem e o ambiente, realizou-se um estudo etnoecológico versando os usos das plantas medicinais na medicina popular no Bairro de Santa Isabel, no Município de Águas Mornas/SC. De fato não se tem registro de nenhum levantamento de plantas medicinais entre a população do munícipio, sobre plantas medicinais, o que resulta na problemática da pesquisa; ou seja, em que nível a falta de valorização dos conhecimentos sobre plantas medicinais pode afetar a saúde da população local, que procura quase que única e exclusivamente os tratamentos da medicina convencional, lotando hospitais e unidades de saúde, muitos deles acometidos de moléstias que poderiam ser sanadas por meio do uso de ervas naturais? A coleta dos dados foi realizada em dois momentos. Primeiramente  ocorreu  a  entrevista  com  a  população, por meio de formulários semiestruturados, estabelecendo um estudo de caso, ou seja, um levantamento dos conhecimentos populares dos envolvidos na pesquisa. No segundo momento foi realizada entrevista com casal raizeiro/benzedor, utilizando também entrevistas semiestruturadas, analisado os seguintes aspectos: tempo de trabalho com plantas medicinais, tempo de residência em Santa Isabel (mínimo 8 anos), além de quais as plantas que usam. A maioria do púbico entrevistado possui entre 15 e 50 anos, caracterizando uma população jovem, de baixa renda, com uma renda mensal de 1 a 2 salários mínimos. Não diferente, mesmo que tenha apresentado grande parcela de pessoas jovens, o típico usuário de plantas medicinais é dominante, por mulheres idosas, com pouco ou nenhum estudo. Aprenderam suas receitas com os pais, avós e outros ancestrais. Verificou-se que os recursos naturais nativos têm-se escasseado, levando em consideração o impacto de culturas imigrantes, influenciando significativamente na tradicional cultura de uso de plantas medicinais, com a introdução de hábitos e muitas plantas exóticas.

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Rodrigues, T. de A., Leandro Neto, J., Carvalho, T. de A. R., Barbosa, M. E., Guedes, J. C., & Carvalho, A. V. de. (2020). A valorização das plantas medicinais como alternativa à saúde: um estudo etnobotânico. Revista Ibero-Americana de Ciências Ambientais, 11(1), 411–428. https://doi.org/10.6008/cbpc2179-6858.2020.001.0037

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