Abstract
No Bilan du Film Ethnographique de Paris em 2000 foi projetado um documentário muito es-pecial e bastante diferente dos filmes que compu-nham o restante de suas apresentações. Este docu-mentário, chamado Retour à Plozévet, 1 realizou-se na comuna de St. Demers, na costa da Bretanha, e buscava refazer o mesmo trajeto de uma pesquisa e de um filme etnográfico realizado por Edgar Mo-rin na primeira metade da década de 1960. O resultado foi extremamente instigante e ao mesmo tempo profundamente assustador. No de-correr das entrevistas, que tentavam se realizar com as mesmas pessoas que haviam antes partici-pado da empreitada, uma realidade subjacente ao documentário de outrora foi surgindo e assumin-do uma temerosa prevalência sobre o que, então, foi considerado um dos melhores retratos e uma das melhores documentações de um modo de vida em vias de desaparecer, mas até então pre-servado naquela distante e relativamente isolada comunidade. Um dos pontos centrais daquele fil-me etnográfico referia-se ao cuidado com o trata-mento visual que as mulheres daquela comunida-de tinham consigo mesmas, ao cuidado com suas vestimentas ornadas com rendas e babados, e ao tratamento peculiar que davam aos seus pentea-dos, considerados um elemento fundamental da constituição de suas próprias identidades. Esses penteados, que se elevavam sobre as cabeças como uma espécie de coque alto em forma de le-que, armados e altivos, rígidos em sua configura-ção, apareciam nas mulheres nas mais variadas si-tuações cotidianas, do café da manhã à cozinha
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Menezes, P. (2003). Representificação: as relações (im)possíveis entre cinema documental e conhecimento. Revista Brasileira de Ciências Sociais, 18(51). https://doi.org/10.1590/s0102-69092003000100007
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