Da domesticação à terapia: o uso de animais para fins terapêuticos

  • Garcia M
  • Botomé S
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Abstract

O que é terapia assistida por animais? Em que paí-ses ela está sendo realizada? Que tipos de animais estão envolvidos nesse tipo de trabalho? Que profissio-nais realizam essa modalidade de terapia? Que pessoas estão sendo beneficiadas com esse trabalho? Quais ainda podem ser? Que processos de produção de co-nhecimento existem a respeito desse processo no Brasil e no mundo? Qual a fidedignidade desse conheci-mento? Essas são algumas das muitas perguntas rela-cionadas a um subcampo de atuação profissional que aos poucos vem se tornando conhecido no Brasil. Para aqueles que procuram esclarecimentos com relação a essas perguntas, a maior parte da literatura existente está em língua estrangeira, o que pode dificultar o acesso para muitos dos interessados. Há, porém, uma obra em português, dedicada ao assunto. Terapia as-sistida por animais é o tema do livro de Jerson Dotti: Terapia & Animais. O livro é uma obra útil para pro-fissionais do País como uma introdução a respeito da utilização profissional de animais para fins terapêuti-cos. São informações relevantes para quem precisa conhecer os processos que acontecem e os procedi-mentos que podem ser utilizados para obter benefícios com o uso de animais para fins terapêuticos em pessoas com diferentes tipos de necessidades. Terapia Assistida por Animais (TAA), nome apa-rentemente apropriado dado a esse subcampo de atua-ção profissional, também é conhecido por outros no-mes como pet terapia, zooterapia ou terapia facilitada por animais. Esse subcampo de atuação profissional constitui um processo no qual um profissional (um psicólogo, um fisioterapeuta, um enfermeiro etc.), por meio de animais, provoca mudanças comportamentais ou orgânicas em pessoas com diferentes tipos de ne-cessidades. Apesar de parecer algo recente ou novo, como Dotti (2005) apresenta em seu livro, há registros do século IX, na Bélgica, sobre a utilização de animais em procedimentos de tratamento de pessoas com defi-ciência. Em 1792, em Yorkshire na Inglaterra, animais também foram utilizados em terapias com pacientes, vivendo sob condições subumanas em asilos de pacien-tes com esquizofrenia. Ainda segundo Dotti (2005), no Brasil, os trabalhos da Dra. Nise da Silveira no hospital psiquiátrico Dom Pedro II, em Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro, constituem parte das pri-meiras tentativas nacionais do uso dos animais com fins terapêuticos. Não obstante a utilização de animais para terapias já estar sendo feita de um modo profissional desde a década de 1970, os estudos científicos para compre-ender as variáveis envolvidas nesse processo, até os primeiros anos do século XXI, ainda são recentes e poucos, embora estejam aumentando gradativamente as experiências e obras sobre esse tipo de trabalho (Burch, 2003; Chandler, 2005; Fine, 2006; Pichot & Coulter, 2007). A obra de Jerson Dotti é útil para quem se interessar pela participação de animais como auxílio em processos terapêuticos e organiza informa-ções sobre tal tipo de trabalho. É uma obra que ajuda muito na orientação específica da interação de seres humanos e animais como apoio para fins terapêuticos. Como obra sistematizadora de informações, é uma boa contribuição escrita em português, voltada especi-ficamente para esse trabalho, embora já existam ou-tros trabalhos que examinaram a relação entre seres humanos e animais. Exemplos desses trabalhos avalia-ram os efeitos benéficos como diminuição de com-portamentos violentos, alívio em uma situação de

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Garcia, M. P., & Botomé, S. P. (2008). Da domesticação à terapia: o uso de animais para fins terapêuticos. Interação Em Psicologia, 12(1). https://doi.org/10.5380/psi.v12i1.9676

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