Abstract
A bursite iliopectínea, embora não tenha muitos relatos na literatura, apresenta-se clinicamente com sinais e sintomas frequentemente encontrados nos ambulatórios e consultórios. Sua clínica é de dor na parte anterior do quadril que piora à extensão, abdução e rotação interna do mesmo. O diagnóstico é confirmado pelo ultrassom ou ressonância nuclear magnética do quadril. A bursite iliopectínea responde bem ao tratamento conservador com anti-inflamatório não hormonal e repouso. Devido a esta boa evolução, não raro, pode-se tratar uma bursite iliopectínea com sucesso sem se saber o que está tratando. Palavras-chave: bursa, bursite iliopectínea, ressonância magnética. INTRODUÇÃO A bursa iliopectínea é a maior do organismo. Está situada sobre a eminência iliopectínea anterior ao quadril, 1 entre o ligamento iliofemoral e o tendão do iliopsoas; estende-se do trocanter menor até a fossa ilíaca por baixo do músculo ilíaco e está presente, bilateralmente, em 98% da população adulta. 2,3,4 A passagem do tendão do iliopsoas sobre a eminência iliopectínea no púbis pode provocar uma sensação audível, em casos de inflamação. 5 Aproximadamente 10% dos pacientes apresen-tam defeito na parte anterior da cápsula articular do quadril, permitindo comunicação da cavidade articular com a bursa. 2 A bursite iliopectínea frequentemente se associa a enfer-midades do quadril como osteoartrite, artrite reumatoide e a lesões desportivas, especialmente quando não se realiza o aquecimento adequado. 6 Ela também pode ser secundária à sinovite vilonoduar pigmentada, osteocondromatose e bursite piogênica. 2 Os sinais e sintomas da bursite iliopectínea são dor na parte anterior do quadril que piora a extensão, abdução e rotação interna do mesmo. Por vezes pode gerar dor na fossa ilíaca e, se for do lado direito, pode simular uma apendicite. Também pode provocar dor irradiada pelo trajeto do nervo femoral por comprimir o mesmo com sua distensão. 2,1,7 O diagnóstico é confirmado pelo ultrassom (US) ou ressonância nuclear magnética (RNM) do quadril. Ultrassom, tomografia e ressonância mostram a bursa distendida e inflamada, contendo líquido hipoecoico ao ultrassom, hipodenso à tomografia, e com intensidade de sinal semelhante a de líquido em todas as sequências de ressonância. 5 A bursite iliopectínea responde bem ao tratamento conservador com anti-inflamatório não esteroide e repouso. A infiltração de corticoide, ou agente esclerosante local, também compõe o arsenal terapêutico, e em casos selecionados pode-se utilizar radioterapia e mesmo o tratamento cirúrgico. 8,1,7 Saudek 9 afirma que esta bursite está comumente associada à osteoartrite de quadril bem como tensão do iliopsoas. As principais causas são: traumatismos, infecções, lesões por es-forço, uso excessivo das articulações, movimentos repetitivos, artrite (inflamação das articulações), gota (depósito de cristais de ácido úrico na articulação). Bonica 10 relata dor moderada a intensa na face lateral do triângulo de Scarpa e que o nervo femoral, comprometido devido ao processo inflamatório, gera dor na face anterior da coxa e face medial da perna que é agravada quando há tensão do músculo iliopsoas e compressão do quadril. Podem ser observados sinais de dor à palpação e edema durante o exame, podendo estender-se para a prega inguinal. RBR 50_5.indb 590
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Gomes, E. A., & Cerqueira, L. M. (2010). Bursite iliopectínea: relato de caso. Revista Brasileira de Reumatologia, 50(5), 590–595. https://doi.org/10.1590/s0482-50042010000500010
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