Abstract
ESTUDOS AVANÇADOS 15 (43), 2001 173 S MIGRAÇÕES costumam figurar como o lado visível de fenômenos invisí-veis. Aparecem muitas vezes como a superfície agitada de correntes sub-terrâneas. Verdadeiros termômetros que, ao mesmo tempo, revelam e es-condem transformações ocultas. Os grandes deslocamentos humanos, via de re-gra, precedem ou seguem mudanças profundas, seja do ponto de vista econômico e político, seja em termos sociais e culturais. Os maremotos históricos provocam ondas bravias que deslocam em massa populações e povos inteiros. Numa pala-vra, a mobilidade humana é em geral um sintoma de grandes transições. Quando ela se intensifica, algo ocorreu ou está para ocorrer, ou melhor, algo está ocorren-do nos bastidores da história. Se o planeta está em movimento, através de milhões de seres humanos deslocando-se de um lado para outro, ou se as estradas do Brasil estão povoadas de caminhantes – não é exagero falar de um momento de profundas transforma-ções. Para alguns autores, como Boaventura Souza Santos, Michael Hardt e Antonio Negri, por exemplo, trata-se de uma crise sem retorno do paradigma modernidade, no bojo da qual engendra-se uma nova transição paradigmática.
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Gonçalves, A. J. (2001). Migrações Internas: evoluções e desafios. Estudos Avançados, 15(43), 173–184. https://doi.org/10.1590/s0103-40142001000300014
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