Abstract
Se fosse possível apreender em uma única expressão os sentidos das mudan-ças em vigor no Brasil desde 1930, talvez pudéssemos classificá-los como inerentes a uma época de tradições fatigadas. Transformações de vulto acon-teciam em todos os contextos da vida econômica, política, social e cultural, a suscitar outros estilos de se pensar o país, provocando o aparecimento de nova geração de intelectuais, os chamados " Intérpretes do Brasil " – Gilber-to Freyre, Caio Prado Júnior, Sérgio Buarque de Holanda –, que enfrenta-ram, malgrado a diversidade que os caracteriza, o tema da construção da nossa modernidade nos termos da linguagem modernista 1 . Com eles, o modernismo deixa de ser o estilo avançado da literatura e das artes, chegan-do ao ensaio; o movimento das vanguardas, que na origem foi acentuada-mente nacional, ofereceu condições propícias à conformação das nossas peculiaridades; por fim, pôde-se construir uma imagem do país em chave positiva, o que não significou ipso facto perspectiva necessariamente otimis-ta sobre o futuro da nação, mas que se singularizava ao rejeitar as visões baseadas na ideia de incompletude da nossa história, tendo como ponto de referência experiências forâneas. O ensaísmo crítico de corte modernista negou a norma culta portuguesa como forma adequada de expressão intelectual, inscrevendo dicções incomuns no passado, ao mesmo tempo em que cons-truiu retratos do Brasil que marcaram a cultura brasileira em toda a sua traje-tória ulterior. Os ensaístas dos anos de 1930 lançaram as bases da reflexão
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Ianni, O. (1996). A Sociologia de Florestan Fernandes. Estudos Avançados, 10(26), 25–33. https://doi.org/10.1590/s0103-40141996000100006
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