Abstract
Numa ocasião em que celebramos o centenário das Regras do Método Sociológico, de Durkheim, há quem se questione — como Jean-Michel Berthelot (1995a, 175) — sobre se não estaremos a participar num «ritual tribal» próprio de eventos comemorativos e, em consequência, a empolar artificialmente a actualidade das Regras. Talvez sim, talvez não. Talvez sim, considerando que as comemorações são normalmente utiliza- das para evocações de carácter mais ou menos ritualístico. Os livros, como os cadáveres, estão expostos à corrupção do tempo, são alimento de peque- nos vermes e, bastas vezes, o seu destino é converterem-se em pó. Um bom pretexto, pois, para desenterrarmos as velhas Regras da estante, dando-lhes uma desempoeirada releitura. Quem sabe se, sem querer, não acabaremos deste modo por nos questionar sobre os alcances e os limites da objectividade sociológica, recuperando o seu «inconsciente» epistemológico (Bourdieu, 1980). Com efeito, uma releitura crítica das Regras do Método Sociológico tal- vez nos permita chegar à conclusão de que o que comemoramos não se esgota no acto da comemoração. De facto, o «ritual tribal» permite-nos pôr em prática o método sociológico por excelência, segundo Durkheim — o método comparativo: ao confrontarmos, a pretexto da comemoração, a socio- logia tal qual Durkheim a entendia e tal qual hoje a vivemos.
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PAIS, J. M. (1996). Das regras do método, aos métodos desregrados. Tempo Social, 8(1), 85–111. https://doi.org/10.1590/ts.v8i1.86283
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