Abstract
Aprendemos em qualquer circunstância. Aprendemos na circunstância da família, com a mãe, com o pai, com os irmãos, com os avós, com as tias, com os tios, com as primas, com os primos…Aprendemos na circunstância da rua. A rua é a sociedade a fluir. A rua é o exterior da família. Entre a família e a rua há, continua a haver, uma linha de fronteira. A família é um mundo, mas a rua é um mundo outro, imenso, complexo, temeroso, fascinante. Se tirássemos a cada um de nós o que aprendemos, até hoje, na rua, que ficava?1 A aprendizagem não tem fronteiras físicas, sociais, culturais ou institucionais. Na realidade, os conhecimentos que acumulámos, as capacidades e competências que edificámos ou as atitudes que desenvolvemos são o resultado dos episódios de aprendizagem que, ao longo de toda a nossa vida e em todas as suas dimensões, vamos concretizando. Como se pode inferir da citação que efectuámos de Patrício (2004), o que somos resulta daquilo que aprendemos em todas as circunstâncias vitais, das quais fazem parte ambientes de aprendizagem de características muito diversas. Desde os ambientes de aprendizagem mais informais, que são próprios do complexo contexto social em que existimos – com todas as circunstâncias de contacto humano, mais ou menos estruturado, que ocorrem quotidianamente –, até aos ambientes de aprendizagem mais formais, próprios das instituições que assumem a aprendizagem como o objectivo fundamental da sua actividade.Na realidade, aprender não é um comportamento exclusivo dos ambientes escolares. Muito pelo contrário, pois basta observar, com atenção, a realidade em que vivemos, para identificarmos exemplos, extraordinariamente criativos e eficazes, de aprendizagem concretizados por indivíduos e comunidades cuja relação com a educação escolar é frágil ou, em alguns casos, inexistentes. Por outro lado, verifica-se, hoje, um fenómeno de sentido inverso: à medida que os níveis de escolarização dos indivíduos aumentam e os respectivos níveis de aprendizagem formal se vão estruturando e sedimentando, estes vão procurando ambientes de aprendizagem menos institucionais e mais individualizados, realidade que hoje vai sendo, crescentemente, facilitada pela inovação tecnológica e pela menor dependência dos processos de aprendizagem da presença física dos indivíduos em espaços e tempos físicos de aprendizagem.
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Nico, B. (2006). Práticas Educativas e Aprendizagens Formais e Informais: Encontros entre cidade, escola e formação de Professores. In Vozes da Educação: Memórias, histórias e formação de professores. DP et Alii Editora. https://doi.org/10.5935/978-85-61593-09-4.2016c012
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