Abstract
A região do Vale do Rio Paraíba do Sul localizada entre Cruzeiro (SP) e Itatiaia (RJ), compreendendo o extremo leste da Bacia de Taubaté, oeste da Bacia de Resende, bem como o terreno constituído por rochas do embasamento pré-cambriano que separa estas bacias cenozóicas, o denominado Alto Estrutural de Queluz, encerra numerosas evidências de movimentos tectônicos recorrentes, ativos até os tempos recentes. A análise morfoestrutural, em conjunto com a caracterização dos depósitos sedimentares e das estruturas de caráter rúptil, permitiu o reconhecimento de três fases de movimentações neotectônicas. Estas movimentações estariam relacionadas inicialmente a esforços compressivos pleistocênicos orientados segundo NW-SE, associadas a um binário transcorrente dextral de direção E-W. As estruturas relacionadas a esta fase afetam depósitos coluviais e linhas de seixos, por vezes cavalgados por blocos de rochas do embasamento, ao longo de falhas de direções preferenciais NE a ENE. Posteriormente, uma mudança do regime de esforços foi assinalada durante o Holoceno, passando estes a extensionais, com direções E-W (WNW-ESE). Esta fase é responsável pela geração de feições marcantes no relevo, como grabens de direção N-S, que embutem pacotes sedimentares com espessuras superiores a trinta metros. Finalmente, famílias de juntas conjugadas, de direções ENE e WNW, seccionando depósitos coluviais, colúvio-aluviais e aluviais, registrariam nova mudança no regime de esforços durante o Holoceno, agora compressivos, de direção E-W. O quadro neotectônico já estabelecido é relevante em termos da estabilidade geológica da região, onde estão instaladas grandes obras de engenharia, incluindo uma central nuclear.
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SALVADOR, E. D., & RICCOMINI, C. (1995). NEOTECTÔNICA DA REGIÃO DO ALTO ESTRUTURAL DE QUELUZ (SP-RJ, BRASIL). Revista Brasileira de Geociências, 151–164. https://doi.org/10.25249/0375-7536.1995151164
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